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Cidade

Rua em Campo Mourão é “lixão” a céu aberto

Lixo descartado de forma irregular serve de criadouro para o Aedes aegypti. Cidade tem 201 casos registrados de dengue

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A Rua Alfonso Germano Hruschka, de acesso ao Jardim Modelo, é mais um ponto em Campo Mourão de descarte irregular de lixo, a exemplo da estrada rural que liga as rodovias PR-558 e BR-487 e a Vila Guarujá. A via sem asfalto é um lixão a céu aberto.

Em pontos na rua há entulho, galhos, aparelhos de tevê, móveis, pneus e também lixo orgânico que provocam mau cheiro. Nesta semana, parte do lixo foi queimada à beira do “estradão”, como a via é conhecido pelos moradores da região.

Em meio ao lixo há materiais com água parada – pneus estão com larvas – e sevem de criadouros para o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika vírus e chikungunha.

O mais recente Levantamento Rápido do Índice Infestação por Aedes aegypti (Liraa), de abril deste ano, aponta 6,55% de infestação, índice geral acima do tolerado pelo Organização Mundial de Saúde (OMS).

Campo Mourão tem 201 casos de dengue registrados desde agosto do ano passado, segundo boletim epidemiológico divulgado nesta semana pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e o município está classificado em situação de risco de epidemia. “Eu tenho diabete e se ficar com dengue o problema aumenta. É um risco”, disse o auxiliar de serviços gerais Isaías Klai Ferreira, 40 anos, morador da Rua Alfonso Hruschka.

Na frente da casa de Isaías tem um pequeno depósito de materiais recicláveis, com uma cobertura improvisada, que é a fonte de renda do irmão dele. O que é jogado na rua e pode ser reciclado é recolhido pela família.

Segundo Isaías, moradores já denunciaram à prefeitura a situação da rua, mas o lixo continua espalhado. “Ninguém toma providência. Na hora da política vem, mas para fazer serviço não”, afirmou.

O servente de pedreiro José Carlos dos Santos, 39 anos, que passa a pé diariamente pela Rua Alfonso Hruschka, diz que a prefeitura deveria tomar providência por se tratar de um problema de saúde pública. “A situação está deselegante, de desrespeito eu meio ambiente e que causa risco à saúde por causa da dengue”, disse.

José Carlos afirma que já presenciou descarte irregular na rua, mas que não é possível agir sozinho para impedir pessoas quem não dão destinação correta o lixo pela dificuldade de encontrar pontos ou pagar. “Quando a gente conhece, tem algum entendimento e conversa. Mas há pessoas que não dá para conversar, para evitar confusão. A gente deveria ter colaboração maior com o espaço público.

Prefeitura

De acordo com o fiscal da Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Emerson Masuoka de Souza, a pasta recebeu denúncias sobre a Rua Alfonso Hruschka e o lixo jogado na via será recolhido. A secretaria tenta identificar os responsáveis.

No ano passado, a prefeitura aplicou 40 multas por descarte irregular de lixo. Além da sanção administrativa, o autor pode responder por crime ambiental. O valor da multa varia de R$ 50 a R$ 50 milhões, dependendo do tipo de material descartado, dano ambiental causado, volume e área.

O artigo 54 da Lei de Crimes Ambientais (9.605/98), que trata sobre poluição de qualquer natureza, prevê reclusão de 1 a 4 anos e multa se o crime constatado é culposo (sem intenção); de 6 meses a 1 ano e multa em casos específicos, a exemplo de tornar uma área urbana ou rural imprópria para a ocupação humana; e de 1 a 5 anos se incorrer nas penas previstas e deixar de adotar, assim que exigidas por autoridade competente, medidas de precaução.

Para descartar materiais de corte de árvores é preciso ter uma autorização na Secretaria de Meio Ambiente e depositar o material no Horto Florestal.

A prefeitura tem um convênio com uma empresa que recebe lixo eletrônico e são feitos mutirões para recolhimento – o mais recente foi realizado em dezembro do ano passado.

O local apto para receber entulho é a Pedreira Casali, que fica no Jardim Aeroporto. O valor cobrado varia conforme o volume.

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