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Luta dentro e fora do tatame para correr atrás de medalhas no boxe chinês

Para representar o Brasil no mundial em Xangai e Sul-Americano em La Paz, trio de Campo Mourão precisa de patrocínio

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Três atletas vão representar Campo Mourão e o Brasil no Sul-Americano de boxe chinês (wushu sanda), na Bolívia, e Copa do Mundo, na China, neste ano. No tatame, o desafio da classificação para as competições foi alcançado, mas fora há um oponente gigante, a busca por patrocínio para custear a viagem e despesas com alimentação e hospedagem.

Riane Cristina de Oliveira Martins, 22 anos, e Jhon Lyon Linhares Ribeiro, 24, estão classificados para disputar o Sul-Americano da modalidade, em agosto, em La Paz, e o mundial, em outubro, em Xangai. “No dia a dia é uma luta por causa do patrocínio. Na luta, a gente consegue lidar com as adversidades”, disse Jhon. “Tem que sofrer e chorar porque é preciso correr atrás de patrocínio, já que não há incentivo”, afirmou Riane.

O caçula do trio, Gustavo Balde de Oliveira, 13 anos, pretende embarcar para La Paz e disputar o Sul-Americano. “Quero sair com o ouro em um campeonato difícil, com adversários muito bons”, afirmou.

Muitas vezes confundido com muay thai, conhecido como boxe tailandês, mas com características bem definidas, o boxe chinês não é tão difundido na região e aí está a dificuldade dos atletas em conseguir patrocínio e participar de competições internacionais.

No ano passado, Riane conquistou medalha de ouro no Pan-Americano da Argentina. Jhon e Gustavo também foram campeões em suas categorias na competição. “Lutei com a mão machucada e consegui sair com o ouro”, disse Jhon.

Na Argentina, tiveram que bancar uniformes, passagens e alimentação nos 5 dias. A despesa foi de aproximadamente de R$ 5 mil para cada. O jeito foi vender rifas e pedir contribuições a amigos, familiares e empresários.  “A federação já deixa bem claro que não pode bancar. Então é preciso balancear os dois, treinar e procurar patrocínio”, diz Raiane.

Jhon mora em Engenheiro Beltrão, mas treina em Campo Mourão para disputar os campeonatos. Está há 4 anos na modalidade. “Não quero deixar isso de lado, tem que persistir porque o esporte não tão conhecido na região”, disse.

Riane também abraçou o boxe chinês há 4 anos. Ela diz que a expectativa é enorme em torno do mundial na China, país que é o berço do esporte. “É a minha vida. Um orgulho sem tamanho representar o Brasil. É sensacional”, afirmou.

Já Gustavo treina boxe chinês desde os 7 anos. A dedicação é diária, junto com outras atividades físicas, a exemplo da natação. O gosto vem de família. O pai é professor na modalidade. “É a minha vida, amo esse esporte. Tem que ter dedicação”, diz.

Mas antes dos desafios internacionais em La Paz e Xangai, os três deverão disputar, em julho, do campeonato paranaense, em São José dos Pinhais, e brasileiro, em setembro, em Bombinhas (SC).

Modalidade

O boxe chinês não tem ainda o status de esporte olímpico, mas segundo os praticantes, vem crescendo. É a forma chinesa de combate corpo a corpo, um sistema de autodefesa. A arte pode ser entendida como uma mistura do boxe e kung fu, com influência de diversas artes marciais chineses.  

Nos campeonatos de MMA (artes marciais mistas) pelo mundo – o mais famoso é o UFC – há presença de crias do boxe chinês, atletas que começaram na modalidade e migraram para o MMA, com mais premiações a partir da profissionalização da modalidade.

O boxe chinês também tem atraído adeptos do MMA por conta de golpes que envolvem técnicas do boxe, esporte olímpico, e chutes altos, médios e rasteiros, arremesso e mobilização, com exigência de condicionamento físico.  

A Federação Internacional de Wushu existe desde 1990 e a primeira Copa do Mundo da modalidade foi realizada em 2002. A estimativa é quase 100 países organizam competições oficiais.

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