Fale Conosco

Vida e Estilo

Depois do 7 a 1, ele não largou mais o reluzente chapéu verde

Por onde passa, o agricultor aposentado Sérgio Malaquia, 74 anos, de Peabiru, chama a atenção

Publicado

em

A esculhambante derrota da seleção brasileira por 7 a 1 para a Alemanha no Mineirão pelas semifinais da Copa do Mundo de 2014 mudou o visual de um agricultor aposentado de Peabiru, na região de Campo Mourão. Depois do vexame, ele não largou mais o chapéu verde, com faixa amarela e lantejoulas brilhantes, e chama a atenção por onde passa. Só deixa de lado o acessório que lembra a maior tragédia futebolística do país para ir à missa aos domingos.

O reluzente chapéu verde-amarelo, ao estilo fedora, chegou à cabeça de Sérgio Malaquia de Souza, 74 anos, durante a Copa do Mundo. Um presente para ele se ambientar ao clima verde-amarelo que tomava conta do país. “É uma lembrança do 7 a 1. Ganhei o chapéu. Depois da derrota fique com ele”, afirmou Sérgio.

O gosto pelo futebol veio com a primeira Copa do Mundo conquistada pelo Brasil, em 1958, na Suécia. “Acompanho desde essa época e o 7 a 1 foi muito difícil pra gente”, diz.

Em Peabiru, onde mora há 54 anos, Sérgio não passa desapercebido com o chapéu verde. No município com 13,9 mil habitantes, segundo estimativa de 2018 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é “figurinha carimbada”. Mora em um sítio na Colônia Mineira e vai diariamente à cidade para bater papo com os amigos. “Vou em qualquer lugar, sem problema. Só não vou com o chapéu na missa no domingo”, afirmou.

Um dos endereços certos de Sérgio na cidade é a lanchonete de Eliseu Nicolau, 46 anos, que também é taxista e o carrega para cima e para baixo depois que sofreu um acidente de trânsito. “Todo mundo conhece ele e o chapéu é a marca”, disse Eliseu.

Sérgio foi presidente do Sindicato Rural de Peabiru por 23 anos e há cerca de 5 anos se machucou ao ter o carro que dirigia atingido por um caminhão na tentativa de atravessar a rodovia BR-158, que corta Peabiru.

Depois da colisão na estrada, que lhe causou problemas na fala e tórax – ele diz que ficou 1 ano sem falar e foi melhorando aos pouco com tratamento médico – dirigir só de casa até a cidade, um trajeto de 6 km. “Todos são conhecidos, vou todo dia para a cidade, então o povo já é acostumado comigo”, disse.

Em cada cidade que passa, Sérgio afirma que o chapéu faz “todo mundo” nutrir simpatia por ele, mas também gera comentários por se tratar de uma “novidade”. Os cochichos sobre o acessório espalhafatoso são encarados com tranquilidade e bom humor pelo aposentado. “Acho uma delícia o chapéu. Acho lindo. A turma pode até não gostar, mas eu gosto. Já me acostumei. As pessoas dão risada, mas fico tranquilo”, diz.

O agricultor, que hoje pouco mexe na terra e arrenda uma área para plantio de soja na Colônia Mineira, tem outros chapéus em casa, mas o verde-amarelo ele diz ser mais expressivo. “Rodo para baixo e pra cima, normal pra mim, nas festas, em todos os lugares.”

A combinação do chapéu verde de lantejoulas com o fusca azul 1978, que de vez em quando usa para ir à cidade, é estrondosa. Também é misteriosa. Sérgio desconversa e logo solta uma gargalhada. “É bom conversar com o povo que tem bastante novidade”, disse.

Ele é adepto ao acessório desde criança porque diz que cresceu no campo. Tem também um chapéu cor-de-rosa que ganhou na Marcha das Margaridas, em Brasília, em 2011.

Sérgio participou do movimento em Brasília, que marca a morte da líder sindicalista Margarida Alves, em 1983, na Paraíba, a convite de um grupo de trabalhadoras rurais da região. “Usa o cor-de-rosa também, normal. Tenho amizade com todo mundo”, disse.

Comente

Comentários

Copyright®i44 News. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do i44 News (redacao@i44.com.br).