Fale Conosco

Vida e Estilo

Macowski, família de Campo Mourão com oito aviadores e muita história

História começou no final da década de 1950, quando os irmãos Edmundo e Edwin iam brincar no aeroporto

Publicado

em

Além de vários aviões e peças, um hangar no aeroporto de Campo Mourão guarda a história de uma família ligada à paixão pela aviação. A história começa no final da década de 1950, quando dois meninos iam de bicicleta ao aeroporto para brincar em vez de jogar bola como os outros meninos nos campinhos espalhados pela cidade. Hoje, oito Macowski são aviadores e mais dois parentes seguiram a o trajeto pelos ares.

No hangar, o mais antigo do aeroporto inaugurado em dezembro de 1955 e onde já passaram mais de 135 aviões da família, fotos de Edmundo, 69 anos, e do irmão Edwin, 71, o primeiro com cerca de 35 mil horas de voo e o segundo com 40 mil horas, retratam o despertar dos irmãos para a aviação desde criança. “A gente gostava de avião e a diversão era o aeroporto. O sonho era ser piloto. Os outros moloques jogavam bola e nós gostávamos de avião”, disse Edmundo.

Ervin, 64, e Leila, 61, seguiram os irmãos e se tornam pilotos também. Depois vieram os filhos de Edmundo, Douglas Augusto, 43, Diogo Heron, 42, e André Gustavo, 36. Vanessa Cristina, 40, analista judiciária, foi a única a seguir outro caminho, mas os irmãos dizem que ela é apreciadora da“janelinha”, de voar.

Mais recentemente, os aviadores Macowski ganharam uma nova integrante, Nicole, 24, filha de Edwin, que já está fazendo voo solo. E tem dois parentes, uma que trabalha na aviação agrícola e outro que é piloto da Delta Airlines, nos Estados Unidos.

Segundo Edmundo, quando Edwin completou 16 anos foi fazer aulas no aeroclube em Londrina e o pai, Nicolau, que tinha uma serraria, comprou um avião. Em 1966, a família construiu o hangar e tudo caminhou para os Macowski entrarem de cabeça no mundo da aviação. “Ele me ensinou e 15 dias depois já tinha feito meu primeiro voo sozinho”, afirmou Edmundo.

Edmundo tirou o brevê (permissão para pilotar aviões) e, em 1969, foi acompanhar o irmão em Porto Velho (RO) para trabalhar em um garimpo de cassiterita. Os dois transportavam os garimpeiros, suprimentos e o minério de estanho.

De Porto Velho voaram para o Acre, Estado onde são precursores da aviação. Foram 40 anos de trabalho na região amazônica, fazendo táxi-aéreo. Os pilotos levavam alimentos, calçados, tecido e outros produtos de Rio Branco para cidades do interior.

Os aviões dos Macowski faziam viagens em cerca de 2 horas que as embarcações levaram até 45 dias para completar. Por causa da umidade da região, alguns produtos mofavam ou estragavam no transporte fluvial. Nesse período, o terceiro irmão já estava voando e o trabalho ganhova mais corpo. “O povo era desacostumado de voar, mas acostumou muito rápido por causa da rapidez”, diz Edmundo.

Em Rio Branco, os filhos conviviam com os aviões e começaram a aprender a pilotar. Douglas, o mais velho, tinha 14 anos quando veio a pergunta do pai se ele queria aprender a voar. Ele está hoje na aviação comercial e é coordenador de curso no Aeroclube de Campo Mourão, onde o pai é diretor de instrução. Diogo, doutor em matemática e professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), e André Gustavo, empresário, são pilotos privados.

Leila é a única mulher em Campo Mourão com carteira de piloto privado. Edmundo faz questão de dizer que a irmã é habilidosa por encarar com destreza um monomotor Cessna 180. “Tem muito piloto que tem dificuldade de pilotar esse avião e ela faz isso muito bem”, afirmou Edmundo.

Ela diz o pai falava com altivez que os filhos estavam na aviação. Os irmãos foram os primeiros pilotos residentes em Campo Mourão. “O pai e a mãe tinham muito orgulho e sempre estavam juntos no aeroporto”, disse.

Os voos em companhia dos irmãos estão na memória, como a vez que foram de Campo Mourão a Rio Branco em ala. “Me enche de orgulho voar com ele, um voo longo, de 11 horas, um ao lado do outro”, afirmou Edmundo.

Revoada

A reunião familiar no almoço de Natal e a sequência do encontro são uma síntese da paixão dos Macowski pela aviação, uma história que nasceu há décadas e vem ganhando novos capítulos. “Nossa vida é a aviação; é o que a gente gosta”, disse Edmundo.

Há 4 anos, Edmundo e os três filhos “roubam” os céus em Campo Mourão com voos em formação de diamante (em cruz) e perfilados. É a revoada, uma homenagem da família ao Dia do Aviador, comemorado em 23 de outubro, e diversão garantida.

“É um orgulho muito grande. É uma situação muito rara, já que é preciso, primeiro, ter três filhos e todos gostarem de aviões para fazer isso.”

Comente

Comentários

Copyright®i44 News. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do i44 News (redacao@i44.com.br).