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Terminal urbano, com sujeira e estrutura precária, o ‘primo pobre’ da biblioteca e Praça São José

Estrutura precária, sujeira e banheiros fétidos geram queixas de usuários do transporte coletivo

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Ao lado do Biblioteca Municipal, prédio bem equipado e com visual de encher os olhos, e da Praça São José, um espaço bem cuidado em Campo Mourão, o Terminal Urbano Pioneiro Benedito Martins de Almeida chama a atenção pela sujeira e condições precárias que geram queixas de usuários do transporte coletivo.

“Campo Mourão merece um terminal melhor, mas tem gente que pensa que aqui só vem pobre, sem dinheiro, sem carro, então ninguém liga”, disse a aposentada Maria Nubia de Holanda Guerra, 76 anos.

Maria frequenta o terminal, em média, duas vezes por semana. Sai de casa, no Jardim Gutierrez para ir ao centro da cidade. Na manhã desta quinta-feira (15), as condições do local eram as mesmas de outros dias.

“Pago meus impostos e mereço ser tratada com serviço melhor. A biblioteca ao lado está bonitinha e o terminal esse lixo”, afirmou a aposentada.

As paredes descascadas são o cartão de visita do terminal aos usuários do trasporte coletivo que pagam R$ 3 pela passagem do ônibus. Para sentar nos bancos de concreto para esperar o ônibus é preciso ficar atento, já que alguns estão sujos com cocô de passarinho.

A sujeira também está espalhada na área de embarque, folhas de árvores, papel, copos plásticos, embalagens e muita bituca de cigarro em um local onde é proibido fumar. “Falta cuidado; temos um serviço com o nível muito baixo”, diz o entregador Paulo Roberto Rodrigues, 28 anos.

No terminal há lixeiras, caixinhas de madeira transbordando e cestos fixados nas paredes. A sujeira é resultado de um serviço de limpeza ruim e desrespeito de alguns que passam pelo local e jogam lixo no chão. “Aqui é bem sujo, mas também é falta de educação do pessoal que frequenta o local porque fuma e joga o lixo”, disse a universitária Adrielli Goulart, 21 anos.

Os banheiros, nesta quinta-feira (15), estavam embarreados e cheiro desagradável muito forte. No banheiro adaptado para pessoas com deficiência, com menos movimentação, as condições eram boas.

Quando perde o ônibus para a faculdade, Adrielli precisa ficar esperado o próximo coletivo por cerca de 1h. Ela diz não que não se atreve ir ao banheiro. “Não tenho coragem. É muito sujo”, disse.

O terminal, que fica na Rua Francisco Albuquerque, entre as avenidas Capitão Índio Bandeira e Irmãos Pereira, passou por reforma há 7 anos. O espaço foi reinaugurado em maio de 2012. Na época, as obras custaram R$ 449,7 mil, dinheiro do governo federal e contrapartida de R$ 31,8 mil do município.

Empresa

O contador da Viação Mourãoense, Claudemir Antonio Jacinto, afirmou que há dois fiscais e dois funcionários da limpeza que trabalham no terminal em regime de escala para cuidar do espaço.

Segundo Jacinco, a limpeza do terminal e a situação dos banheiros serão inspecionadas e serão colocadas placas de proibido fumar nas paredes. “As placas já existiam, mas foram arrancadas por gente que usa o terminal”, afirmou.

Licitação

A apresentação das propostas da licitação do transporte coletivo de Campo Mourão está marcada para o próximo dia 19. A concorrência pública tem tarifa máxima de R$ 3,68, valor que é 22,6% maior que o atual preço da passagem, de R$ 3.

A licitação foi aberta em abril deste ano depois que a Justiça determinou pagamento de multa diária de R$ 5 mil pelo prefeito Tauillo Tezelli (Cidadania), a partir de 15 de agosto de 2018, pelo não cumprimento da decisão que obrigou a prefeitura fazer a concorrência pública.

A Viação Mourãoense explora o transporte coletivo na cidade desde 1969. Um decreto de 1983 concedeu o serviço à empresa, que vem operando com sucessivos aditivos do contrato, o que contraria a legislação.

De acordo com a companhia, 10.777 pessoas usam diariamente o serviço. São 7.977 pagantes, incluindo estudantes que pagam meia passagem, e 2.800 não pagantes, a exemplo de idosos.

O edital prevê, com base na lei municipal 3.912, de abril de 2018, que estabelece normas para o serviço de transporte coletivo em Campo Mourão, que os ônibus devem ter, no máximo, 10 anos de utilização, ar-condicionado e wi-fi; que a manutenção, criação de novos pontos de ônibus e operação do terminal urbano são de responsabilidade da concessionária; e implantação de bilhetagem eletrônica.

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