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Canja ‘pós-balada’ é servida há 42 anos em restaurante 24h em Campo Mourão

Prato típico da culinária brasileira é um revigorante nas madrugadas do Tio Patinhas

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Peito de frango, arroz, cenoura, caldo de galinha e os temperos. Esta é a receita da canja servida no restaurante e lanchonete Tio Patinhas, em Campo Mourão, desde 1972, que acabou se tornando um revigorante pós-balada. A sopa da culinária brasileira que carrega a crença de propriedades medicinais na cultura popular, até mesmo no combate à constipação, movimenta as madrugadas do estabelecimento.

O restaurante que tem nome de um dos personagens de quadrinhos mais famosos do mundo, conhecido por ser pão-duro, com uma vida motivada em ganhar e poupar dinheiro, tem outro aspecto também.

Pelo menos 70% dos clientes do estabelecimento são de fora, famílias, representantes comerciais e pessoas que estão em ônibus de linha e turismo. Isto porque o Tio Patinhas é “parada obrigatória” de muita gente por estar localizado às margens do trecho urbano da rodovia BR-487, equina com a Avenida João Bento, no Jardim Zoraide.

A canja é servida no balcão em uma cumbuca ao lado de um prato com torradas e potinhos com o cheiro-verde e queijo ralado. Serve três pessoas e custa R$ 36. Também tem opção de meia canja, para duas pessoas, por R$ 26.

Segundo o proprietário do estabelecimento, Evandro José Tardivo Galace, quando há show na cidade, como neste sábado (24) com a dupla sertaneja Matogrosso & Mathias em um centro de eventos, a equipe de funcionários da madrugada tem que ser reforçada. “Nos fins de semana, jovens vão para as festas, shows, eventos e o Tio Patinhas é ponto de parada, para comer canja, antes de ir para casa”, diz Evandro.

São servidas cerca de 150 porções de canja na madrugada. No horário avançado, quem torcer o nariz para a sopa com receita repetida há décadas pode ir à estufa e escolher salgados feitos pela cozinha da lanchonete. “A canja, a qualquer horário, é servida. É a canja paulista, tradicional, que foi criada pelo proprietário anterior e a gente vem dando andamento”, disse.

A receita e a canja foram “herdadas” por Evandro quando ele comprou o estabelecimento, em 2003. No começo, ele resistiu em comprar o Tio Patinhas porque dizia não entender nada de alimentação. Mas acabou aceitando o desafio, os funcionários antigos o ajudaram e o prato foi mantido no cardápio do estabelecimento. “É uma canja feita sempre com a mesma receita para não sair do padrão”, afirmou.

Parada

Por estar às margens da BR-487, próximo ao trevo para Cascavel, Foz do Iguaçu e Curitiba, a maioria dos clientes são de outras cidades. Regularmente, ônibus de oito empresas param com passageiros no restaurante, que tem maior movimento de segunda a sexta-feira, das 6h às 9h, 11h30 às 13h e das 18h às 22h.

Antonio Quintino, 46 anos, é motorista de uma empresa de ônibus que faz paradas no restaurante. Na manhã desta quinta-feira (22), o coletivo que ele dirigia, que saiu de Belo Horizonte (PR) rumo a Foz do Iguaçu, tinha 12 passageiros. “É um ponto que oferece suporte com higiene, segurança, conforto, bom atendimento e passa uma boa imagem para o cliente, o que é bom para a empresa”, diz o motorista.

Jefferson Rodrigo dos Santos, 32 anos, e a mãe Maria Madalena dos Santos, 72, aproveitaram os 20 minutos de parada para comer coxinha, pão de queijo e café com leite. Ela pegou o ônibus em Nova Serrana (MG), a cerca de 1.250 quilômetros de Campo Mourão, às 10h30 de quarta-feira (21), e o filho saiu de Bambuí (MG) para encontrar a mãe no ônibus em Luz (MG).

Os dois foram para Cascavel, no oeste do Paraná, e depois pegariam outro ônibus para Maravilha (SC). A previsão é chegar perto da meia-noite. “É uma viagem longa e cansativa, então um pãozinho que queijo e leite com café ajudam muito”, disse Jefferson.

De acordo com Evandro, o restaurante já chegou a receber mais de 50 ônibus com gente que ia fazer compras no Paraguai há cerca de 20 anos. No entanto, o perfil hoje é outro, de ônibus com meia dúzia de sacoleiros e bastante espaço para carregar as mercadorias. Desse modo, passageiros e ônibus de linha e turismo movimentam o restaurante.

A canja, os salgados, pão de queijo, lanches e o cafezinho chegam no balcão. Mas o restaurante tem sistema de self-service por quilo diariamente e às quartas-feiras e aos sábados serve porções de feijoada. “A maioria dos clientes está passando pela rodovia, por Campo Mourão. Mas temos boa frequência de gente que reside na cidade no almoço de sábado, domingo e a madrugada”, disse Evandro.

O estabelecimento tem funcionamento 24h e abre nos feriados ou datas especiais como Páscoa e Natal. Para dar conta do serviço são 35 funcionários. “O ambiente não fecha em nenhum dia do ano e é 24h. A gente brinca que as portas são apenas para evitar o vento. Não têm tranca”, diz o proprietário.

Com o tempo, o Tio Patinhas passou por três ampliações, conforme o movimento foi aumentando. Abriu como lanchonete e restaurante, há 47 anos, e funcionou até 1998 como pizzaria também.

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