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Cotidiano

Aos 88 anos, Dulce é dona e trabalha em uma das lojas mais antigas de Campo Mourão

Ela diz que continua trabalhando para não ficar ‘pirada’

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Na entrada da loja de calçados, da cadeira confortável, Dulce Aparecida Gitahy Ferreira dá as boas-vindas aos clientes, alguns de décadas. Atende, conversa, orienta os funcionários e diz que se parar de trabalhar vai ficar “pirada”. A rotina da mulher de 88 anos é em um estabelecimento que faz parte da história de Campo Mourão porque vai completar 67 anos no próximo mês, um dos mais antigos em atividade no comércio da cidade.

Ela trabalha diariamente. O filho Ademaro Ferreira Junior, 56 anos, diz que vai buscar a mãe quando ela deixa de ir à loja por algum motivo. “Venho ver minhas meninas, ajudo, fico ali na frente, administro e se precisar vendo também”, disse.

Campo Mourão entrava no quinto ano de emancipação quando Dulce e o marido Ademaro Alberto Ferreira, que morreu em 2016, migraram do interior de São Paulo. Vieram por intermédio do pai dela que, em 1951, começou a trabalhar em uma fazenda no município em formação que se mostrava como uma terra de oportunidades.

O primeiro passo foi abrir uma sapataria na Avenida Capitão Índio Bandeira, profissão que Ademaro aprendeu ainda menino. Não havia estabelecimentos comerciais nas proximidades, apenas casas de madeira e a coletoria de impostos do governo do Estado. “Era uma banca de conserto de sapatos, onde foi plantada uma sementinha”, diz Dulce.

No começo, o marido consertava sapatos e ela costurava. “Ensinei muita moça a costurar”, disse. O trabalho com as agulhas e máquina durou poucos anos porque o primeiro filho nasceu. Então ela foi auxiliar o marido com os sapados.

A banquinha cresceu, virou loja de calçados em um salão alugado e Ademaro passou a fabricar porque representantes comerciais não apareciam na cidade para vender calçados. “Era só barro por aqui”, afirmou Dulce.

A semente que os paulistas plantaram em Campo Mourão se transformou em uma loja de 1.200 metros quadrados na Avenida Irmãos Pereira, em frente a Catedral São José, hoje com 18 funcionários, calçados, acessórios e confecções. “A gente passou por muitos altos e baixos durante esses anos, por isso sinto bastante orgulho quando olho as fotos” diz Dulce.

Parte da história da primeira loja de calçados de Campo Mourão e da família é retratada em banners com fotos antigas na parede atrás do caixa. Uma da imagens é de Ademaro e Dulce ao lado de um veículo com roupas doadas durante uma campanha assistencial.

Dulce trabalha na loja com os dois filhos, Junior e Roberto Douglas Ferreira, 62 anos. O irmão dela, Jair Francisco Gitahy, diz que trabalhou nos estabelecimento dos 15 aos 73 anos. A funcionária mais antiga trabalha no local há 28 anos.

A administração familiar da loja é estendida aos funcionários. Dulce diz que alguns que já saíram fazem visitas regulares e que são tratados como filhos. “Uma funcionária, que foi gerente por muitos anos, vem toda semana aqui.”

Alguns clientes antigos se tornaram amigos. Vai à loja para ver os artigos, bebem café e batem papo com Dulce e os filhos. Compram desde o começo da loja, costume que passaram para os filhos e eles aos netos. “Vai passando de geração em geração. Tem gente que mora em outra cidade e vem comprar com gente ainda.”

A aposentada Inês Toloczko, 71 anos, é cliente do estabelecimento há mais de 40 anos. Na caminhada entre escolher um calçado e pagar no caixa há boas conversas com a família e os funcionários. “Só compro aqui, não vou em outro lugar, porque são velhos conhecidos e o atendimento e os artigos são bons”, disse.

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