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Orelhões difíceis de achar e alguns não funcionam. Nilton tentou usar para economizar, mas estava quebrado

i44News percorreu de carro Campo Mourão por 2h30 e encontrou sete orelhões. Mas a Anatel diz que há 94

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Para economizar os créditos do telefone celular pré-pago, o comerciante Nilton Bittencourt, 69 anos, parou a bicicleta na Avenida José Tadeu Nunes na manhã desta terça-feira (10) para usar o orelhão e fazer uma ligação local para telefone fixo. Mas teve que voltar para casa sem realizar a chamada porque o aparelho estava quebrado. Achar um orelhão e em funcionamento não é uma tarefa fácil em Campo Mourão.

Em um prédio da empresa de telefonia Oi na Rua Prefeito Daniel Portela, no Jardim Isabel, que está fechado, há mais de 20 postes de sustentação de orelhão, fiação e caixas de metal para fixação de aparelhos jogados no gramado enferrujando.

A reportagem percorreu a cidade de carro por cerca de 2h30 e conseguiu encontrar sete orelhões em frente a escolas e UBS (Unidades Básicas de Saúde) e dois sem funcionamento. Não há telefones público nem mesmo no calçadão ou na Praça São José, no centro da cidade, locais de maior movimentação.

Mas de acordo com a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), em Campo Mourão há 94 orelhões e cinco estão indisponíveis no momento, em manutenção. Em dezembro do ano passado eram 372 aparelhos.

No orelhão que Nilton tentou fazer um chamada local para telefone fixo, que não é cobrada pela operadora, em frente ao 11º Batalhão de Polícia Militar, a tecla 1 do aparelho está inativa. “Está difícil, quase não tem aparelho na cidade este está quebrado”, disse o comerciante, que enfiou o papelzinho com o número de telefone no bolso e voltou para casa sem fazer a ligação. “Tenho celular, mas nem uso.”

Proprietário de um estabelecimento comercial em frente ao orelhão, Daniel Antonio Calado, 46 anos, diz que o telefone é bastante procurado por pessoas que moram no bairro. “O pessoal usa muito, os vizinhos e pessoas que passam na avenida de carro ou moto e estacionam para telefonar”, afirmou.

Na Avenida Irmãos Pereira, no centro da cidade, um orelhão em frente a um salão de beleza estava sem o aparelho na manhã desta terça-feira (10). Solange Simão, 45 anos, que trabalha no estabelecimento, disse a situação perdura há quase 2 meses. “A empresa retirou o aparelho e não voltou. O pessoal da rua usava bastante e agora ficou sem”, diz.

Desde outubro de 2017, quem usa orelhão da companhia Oi não paga por ligações locais ou nacionais para telefones fixos por determinação da Anatel. A empresa precisa manter pelo menos 90% dos orelhões em funcionamento. Em Campo Mourão, a taxa é de 94%, conforme a agência.

Conforme a Anatel, no decreto 9.619, que dispõe sobre o novo PMGU (Plano Geral de Metas para a Universalização do Serviço Telefônico Fixo Comutado Prestado no Regime Público), aprovado em dezembro de 2018, consta o fim das obrigações da concessionária em manter orelhão a cada 300 metros nas localidades atendidas com acesso individual e de garantir a densidade de quatro telefones públicos para cada 1.000 habitantes por município. Não podem ser retirados os orelhões já instalados nas localidades com até 300 habitantes.

Conforme a Anatel, no Paraná existem 13.535 orelhões. No país são 213.232. As regiões com maior número de telefones públicos são o Sudeste (94.206), Nordeste (56.176) e Sul (29.857).

No site da companhia telefônica, os preços informados de cartões telefônicos são de R$ 2,50 com 20 créditos, R$ 5 (40 créditos) e R$ 9,37 (75 créditos).

Empresa

A empresa Oi informou que a utilização do orelhão diminuiu a cada ano em razão do aumento do número de telefones móveis e que o novo PGMU prevê a retirada de telefones públicos subutilizados pelas operadoras de telefonia fixa que atuam no país – Oi, Telefônica, CTBC e Sercomtel -, que serão obrigadas a investir em telefonia móvel e banda larga para levar os serviços às localidades ainda não atendidas e ampliar as existentes.

O Brasil encerrou maio de 2019 com 228,64 milhões de linhas móveis em operação, conforme relatório da Anatel, o que representa uma redução de 6,83 milhões (-2,9%) de unidades na comparação com os dados registrados há 12 meses.

A companhia informou ainda que novo PGMU segue a tendência mundial de manter telefones públicos perto de shoppings, escolas, postos de saúde, hospitais, órgãos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, estabelecimentos de segurança pública, bibliotecas, museus, terminais rodoviários e aeródromos.

Em 2017 a Oi teve o maior pedido de recuperação judicial da história do Brasil, com dívidas acumuladas em R$64 bilhões a serem negociadas. A empresa está em crise há anos, com risco de suspender serviços ofertados até o ano que vem por não ter dinheiro para manter eles ativos.

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