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Justiça

Com dívidas de R$ 120 mi, Fertimourão pode ter falência decretada pela Justiça

Tendência entre credores é rejeição de novas propostas; licenciado, prefeito não encontrou credores

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Por insuficiência de quórum, a assembleia-geral de credores da Fertimourão Agrícola – empresa que fechou suas portas deixando um rastro de dívidas milionários com agricultores de toda região -, de propriedade do prefeito de Campo Mourão, Tauillo Tezelli (Cidadania), foi remarcada para a próxima sexta-feira (20). A ação se arrasta desde 2010 e envolve 349 detentores de crédito e dívida superior a R$ 120 milhões. Credores e advogados ouvidos pelo i44News acreditam que a tendência é a rejeição de novas propostas da empresa. Se houver confirmação deste cenário, a Justiça deve decretar a falência da Fertimourão.

O prefeito se licenciou do cargo por 30 dias na sexta-feira – mesmo dia da assembleia-geral mas, não participou da reunião de apresentação do plano de recuperação judicial da empresa comercializadora e transportadora de grãos.

Para ser instalada, a primeira convocação da assembleia precisa ter quórum de representantes das três classes de credores superior a 50% do valor do créditos. Caso a forma de pagamento não seja aprovada na assembleia no dia 20, que acontecerá independente do quórum de créditos, a Justiça decretará a falência da Fertimourão.

Segundo a administração judicial da assembleia, a classe com dívidas trabalhistas teve quórum de 85,52%; a de crédito com garantia real (existência de bens), 47,97%; e quirografários (não possui garantia real), 63,87%.

Advogados ouvidos pelo i44News na assembleia afirmaram que a tendência é que credores com garantia real e de ativos trabalhistas não aprovem a plano de recuperação judicial da empresa porque têm prioridade no pagamento em caso de falência.

Assembleia-geral de credores da Fertimourão na sexta-feira, em Campo Mourão

O agricultor Paulo Ivan Ferreira, 52 anos, de Mamborê, tenta receber R$ 42 mil da Fertimourão. O valor de 2010 é referente a soja e milho entregues pelo produtor à empresa. “Foi o trabalho de um ano inteiro e sofrido. Até hoje isso reflete nas contas”, disse.

Ferreira diz que parte da produção foi usada como pagamento de insumos agrícolas e outra depositada na empresa que não foi paga. “Só o agricultor sabe o sufoco que é. Esperança nunca morre. Um dia vou ter que receber”, afirmou.

A mesma expectativa tem o motorista Severino Alves da Silva, 67 anos, também de Mamborê, que trabalhou na Fertimourão de 2006 a 2013, foi demitido sem justa causa e não recebeu nada.

Silva, que hoje ainda trabalha de motorista, calcula que tem R$ 300 mil para receber da empresa, mas que na época o valor devido pela Fertimourão era de R$ 11 mil. “Foram 7 anos e 6 meses de serviço e não recebei nem a multa rescisória. Eu não queria ‘colocar na Justiça’, mas a própria empresa disse que essa é a única forma de receber”, disse.

Em abril de 2016, a Fertimourão conseguiu financiamento bancário para tornar viável as operações em recuperação judicial. A empresa devia R$ 2,8 milhões ao banco e tinha 80 funcionários diretos e outros 200 indiretos.

As unidade da Fertimourão no km 198 da rodovia BR-487 está arrendada, segundo informações da atual empresa em operação no local.

Dono da empresa, Tauillo tirou licença de 30 dias e a prefeitura foi assumida desta sexta-feira (13) pelo vice Beto Voidelo (Cidadania) assumiu o cargo de prefeito.

A assessoria de imprensa da prefeitura informou que o prefeito pediu licença para fazer exames médicos e tratar de assuntos particulares, incluindo o plano de recuperação judicial da Fertimourão.

Defesa

O advogado da Fertimourão, Aguinaldo Ribeiro Jr., disse que a sistemática de pagamento das dívidas está em curso e que boa parte dos créditos é financeira, de operações que a empresa fez, em mãos de credores cessionários. “Ainda não temos nada objetivo no momento”, diz.

Ribeiro Jr. afirma que a intenção é aprovar um plano compatível ao caixa da empresa e que seja coerente aos credores na próxima assembleia marcada para o dia 20 deste mês. “A empresa continua em atividade, com faturamento, algumas unidades arrendadas, e houve uma redução de atividade pelas crises interna e externa.”

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