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Solidariedade

Ele tem 19 anos, mora em abrigos desde os 6 e tem o sonho de construir uma família

Entidade A Mão Cooperadora, onde o jovem está abrigado, precisa de voluntários

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“Quero construir uma família para dar aos meus filhos o que os meus pais não deram pra mim, amor e carinho.” A frase carregada de sentimentos é de um rapaz de 19 anos que desde os 6 mora em abrigos por determinação judicial. As histórias de vida de Paulo (nome fictício) e de adolescentes atendidos pela A Mão Cooperadora, em Campo Mourão, mostram a luta diária dos internos e da entidade pelo retorno deles ao convívio familiar e busca por autonomia.

Paulo morava com avó em Umuarama, no noroeste do Estado, quando foi para o primeiro abrigo. O rapaz disse que ela não tinha mais condições de cuidar dele porque estava doente. Os pais eram usuários de drogas e já tinham perdido a guarda da criança.

O jovem tem contato com os pais, mas diz não querer voltar a conviver com eles porque acredita que hoje percorre um caminho melhor. Está na entidade desde 2011, trabalha de repositor em um supermercado e alimenta sonhos de formar uma família e fazer faculdade ou seguir a carreira militar. “Se tivesse ficado não teria o que tenho hoje, talvez estaria em uma situação pior. Foi bom ter vindo pra cá”, afirmou.

A retirada do convívio da família por determinação judicial, já que se encontrava em situação de vulnerabilidade social, deixou marcas, mas Paulo segue com olhar positivo para alcançar os objetivos. “No começo tinha muita raiva. Quando estava no outro abrigo era alguém que queria descontar essa raiva em todo mundo. Mas cresci e mudei”, afirmou.

Segundo a psicóloga da A Mão Empreendedora, Ana Caroline Silva, a entidade atende meninos de 12 a 18 anos encaminhados pela Justiça e Conselho Tutelar, mas Paulo já tem 19 anos e é um caso especial.

O rapaz já fez uma tentativa de morar sozinho, mas não se adaptou. Trabalha há 1 ano e 2 meses no supermercado e diz que está em busca da autonomia, um dos desafios dos adolescentes abrigados. “O propósito da entidade é fazer o fortalecimento de vínculo com a família e encaminhar eles para o mercado de trabalho”, diz Ana Caroline.

O papel da entidade é garantir o que estabelece a Constituição Federal e o ECA (Estatuto da Criança e dos Adolescente), do direito da criança e dos adolescentes de ser criado e educado no seio de sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária.

Entidade

A Mão Cooperadora funciona desde 1993 e é um projeto social da Igreja Deus no Brasil. Em novembro de 1996, um incêndio causado por um dos meninos abrigados destruiu um dos quartos uma semana antes da inauguração oficial do abrigo que funcionava de forma provisória.

De acordo com a psicóloga, a entidade tem capacidade para abrigar 16 adolescentes e hoje 10 estão no prédio localizado na Rua São Paulo, no centro de Campo Mourão, ao lado da igreja. Os meninos dividem quatro dormitórios e têm salas de tevê, jogos, informática e refeitório

No abrigo, eles têm atividades, são encaminhados para a escola e são supervisionados por monitores em tempo integral.

Os adolescentes que vivem no abrigo foram retirados de suas famílias por situações de violência e negligência. A entidade é mantida por recursos da União, Estado, município e, neste ano, deverá receber pela primeira cerca de R$ 84 mil por meio de doações do Imposto de Renda.

A entidade está inserida no programa “Apadrinhar para Transformar”, que possui três frentes. Uma é “apadrinhamento de abrigo”, com ajuda coletiva na forma de prestação de serviços e material. Outra é o “apadrinhamento financeiro”, que prevê o financiamento de cursos profissionalizantes e a atividades esportivas, por exemplo. E a terceira é o “apadrinhamento afetivo”, com as visitas e permanência temporária com os adolescentes. Para o padrinhamento, o interessado deve preencher uma ficha de inscrição que é avaliada pela Vara da Família.

Segundo Ana Caroline, a maior necessidade é de voluntários que possam oferecer serviços aos adolescentes e à entidade. Hoje, os meninos contam cabelo em um salão e são atendidos por um consultório dentário. São profissionais que se dispuseram a ajudar os meninos com trabalho.

“Nossas maiores necessidades estão ralacionadas a recursos humanos, de voluntários, dentistas, médico, advogados e outros profissionais”, diz Ana Caroline. Dentro do apadrinhamento, um menino ganhou um tratamento dentário.

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