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D. Luís Antonio e desbravador Pereira, personagens históricos de Campo Mourão que faz 72 anos

Nesta quinta, comemora-se o 72º aniversário, mas a história dos Campos do Mourão começa em 1769, no Brasil colônia

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O estudante Guilherme Lima Caxambu, 14 anos, foi nesta terça-feira (8) com um grupo da escola ao Museu Deolindo Mendes Pereira conhecer a história de Campo Mourão, cidade onde nasceu e que completa 72 anos de emancipação político-administrativa na quinta-feira (10). Pôde ver a foto de José Luiz Pereira, primeiro morador, que chegou em 1903, de chapéu, barba grande e em um cavalo, miniaturas das primeiras construções, imagens de pioneiros e galerias de prefeitos.

Guilherme diz que depois da visita ao museu foi possível entender que Campo Mourão é fruto de muito trabalho dos moradores que ajudaram a cidade a se desenvolver. “O progresso pelo que a cidade teve é muito cativante”, disse o estudante.

O município o centro-oeste paranaense que, em 1947, tinha cerca de 5 mil habitantes e elegeu o primeiro prefeito, Pedro Viriato de Souza Filho, candidato único, com 230 votos, tem população de 94.859, segundo estimativa de 2019 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. “Campo Mourão é uma cidade importante e esse aniversário significa que a gente segue em frente”, diz Guilherme.

Segundo ainda o IBGE, o PIB (Produto Interno Bruto) per capita é de R$ 36.001,60, o 82º maior do Paraná e 723º do Brasil; e a área territorial do município de 749,6 quilômetros quadrados é a 71ª no Estado e 1.813ª no país.

Autor de 14 livros, 12 sobre a história de Campo Mourão, o historiador Jair Elias diz que a indenidade de Campo Mourão começou a ser formada em outubro de 1769, no Brasil colônia, quando o território paranaense pertencia a São Paulo e o governador era dom Luís Antonio de Sousa Botelho e Mourão, que determinou expedições e uma passou pela região que foi denominada Campos do Mourão.

O nome é a composição da geografia da área com o sobrenome do nobre português que governou a capitania de São Paulo. “Tinham ordens de colocar o nome ou sobrenome de dom Luís em todas as suas descobertas. O Rio Ivaí tinha do nome de dom Luís”, afirmou.

De acordo com o historiador, os campos ficaram um longo período sem movimentação e a partir do final do século 19 começou a despertar interesse, primeiramente dos guarapuavanos para criação de gado.

Em 1903 chegou a primeira família, os Pereiras, e área começou a ser povoada. Uma foto no museu mostra José Luiz, parente do pioneiro que dá o nome ao lugar, no cavalo em frente a uma pensão em Santa Cruz do Rio Pardo, no interior de São Paulo, rumo ao desconhecido, em 1897. “Foi a primeira pessoa a fixar residência. Perdeu a esposa e foi embora. Era um desbravador”, diz.

Na década de 1920, Campo Mourão passou a ser distrito de Guarapuava e segundo o historiador, até 1943, quando passou a pertencer a Pitanga, ainda não havia cidade porque os habitantes moravam distantes um dos outros e a harmonia garantia a sobrevivência na região.

Jair Elias diz que houve uma disputa para a escolha da área como “sede do patrimônio” e a população apontou a área onde hoje fica o cemitério municipal para “abrir a cidade” e autoridades de Guarapuava e Pitanga onde é hoje a Praça Getúlio Vargas.

No livro “Campo Mourão: A construção de uma cidade”, publicado em 2018, o historiador conta que a população reuniu para fazer o lançamento da cidade. “Estávamos reunidos quando apareceu alguém correndo para dizer que as autoridades estavam onde é hoje a praça”, afirmou.

Conforme Jair Elias, o processo de emancipação político-administrativa teve início em 1946, com a eleição do governador do Paraná, Moisés Lupion (1947-51 e 1956-61), que começou a fazer a organização administrativa prevista pela Constituição do Estado, mas que o projeto não contemplava Campo Mourão.

O historiador diz que a notícia percorreu o Estado e, em 1947, o comerciante Francisco Albuquerque procurou Pedro Viriato de Souza Filho, que era de Curitiba e de família com grande influência política, e conseguiu uma audiência com Lupion no Palácio São Francisco. “Começaram a relatar ao governador que recolhiam imposto e não havia retorno na região por isso precisaria ser emancipado e reivindicação foi atendida”, afirmou.

Museu

No museu municipal, na Avenida Capitão Índio Bandeira, visitado hoje por Guilherme e colegas da escola, há salas que contam a história de Campo Mourão desde a chegada de José Luiz Pereira. No espaço “maquetes históricas”, do artista Ademir Fogaça, há miniaturas da primeira cadeia construída em 1940; do Hospital São Pedro, da década de 1940; da primeira rodoviária erguida no final de década de 1950, na Avenida Capitão Índio Bandeira; do Hotel Central, da década de 1940, na Avenida Irmão Pereira.

Em outras salas há composições de peças indígenas, imagens de pioneiros e equipamentos usados por eles, da saúde e educação e uma que conta um pouco da história da política da cidade, com uma galeria de fotos dos prefeitos.

O museu foi criado em 19 de março de 1978. Em 1985, a prefeitura designou uma servidora municipal para reunir documentos, imagens e objetos da história do município. O acervo foi ampliado e organizado na Casa da Cultura. Em 1992, ganhou o nome de Deolindo Mendes Pereira.

Em 2003, o museu passou para um imóvel alugado e, em 2004, foi transferido para o prédio atual, cedido pelo governo do Estado. É o primeiro prédio em alvenaria de Campo Mourão, local onde funcionou uma unidade de saúde.

Comemoração

O aniversário de Campo Mourão é nesta quinta-feira (10), mas o feriado foi transferido para segunda-feira (14). A alteração está prevista na lei 3.869, de 25 de Outubro de 2017.

A comemoração da data será com o evento Campo Mourão Matsuri – Festival da Cultura e Gastronomia Japonesas, de 11 a 14 de outubro, no Parque de Exposições Getulio Ferrari.

Segundo os organizadores, as atrações são Confira as atrações são desfile de cosplay, shows de Pamela Yuri, Susana Sano e Cintia Nishimura, Luciano Takeda (mago dos balões), danças típicas japonesas, taikô (tambores japoneses), exposições culturais, workshops de mangá, origami, bonsai, feira de produtos e serviço e gastronomia nipônica.

Campo Mourão Matsuri

Data: 11 a 14 de outubro

Local: Parque de Exposições Getulio Ferrari

Endereço: Jardim Silvana

Horários:

Sexta (11): 17h às 23h

Sábado (12): 10h às 23h

Domingo (13): 10h às 23h

Segunda (14): 10h às 22h

Entrada

Sexta (11) – gratuita

Sábado (12) e domingo (13) – horário do almoço: gratuita (12h às 15h); bilheteria: a partir das 17h; inteira: R$ 10; promocional: R$ 5 + 1 kg de alimento não perecível (Provopar); Meia-entrada: R$ 5

Segunda (14) – gratuita

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