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Saúde

‘Outubro Rosa deveria ser todo mês’, diz mulher que espera por cirurgia de urgência há mais de 2 meses em Campo Mourão

Diane Ramos precisa fazer uma histerectomia e foi informada na Secretaria de Saúde que tem muita gente na fila com casos mais graves

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Com a indicação de urgência do ginecologista para fazer uma histerectomia (cirurgia para retirada do útero), a cozinheira Diane Aparecida Ramos, 41 anos, aguarda há 74 dias o procedimento ser marcado pela Secretaria Municipal de Saúde. Na semana passada, foi aberta em Campo Mourão o “Outubro Rosa”, campanha voltada à saúde da mulher, mas que para ela não trouxe resultado algum.

De acordo com especialistas, mioma e câncer do colo do útero são dois casos em que há apontamento de histerectomia total, cirurgia pela qual Diane precisa ser submetida. A intervenção também funciona como medida preventiva.

Diane diz que toma medicamentos há 5 anos, mas o tratamento não resolveu e é preciso fazer cirurgia. “Estou com fluxo sanguíneo intenso, dore abdominais, até com anemia por causa da perda de sangue, e a medicação que o médico passou não segura mais”, afirmou.

Segundo Diane, no dia 15 de julho deste ano, o médico fez pedido de ultrassonografia pélvica transvaginal. Ela foi agendar o exame pela Secretaria de Saúde e 3 dias depois resolver pagar R$ 180 porque o órgão não tinha previsão da data da realização do exame. “Como o médico pediu o ultrassom com urgência fiz particular.”

O exame apontou a presença de miomas no útero e no dia 29 de julho, Diane levou o resultado do para o médico, que indicou necessidade da histerectomia com urgência. “Na secretaria me falaram que não é só eu que estou na fila, que tem gente com casos mais graves”, disse.

No último dia 2 (quarta-feira), as Unidades Básicas de Saúde de Campo Mourão atenderam até as 20h30 para realização de testes rápidos, vacinas, exames preventivos do câncer do colo do útero e de mama. “Sou a favor da campanha, mas Outubro Rosa não deve ser só em outubro, tem que ser em janeiro, fevereiro, março, todos os meses. Estou há 2 meses lutando por uma cirurgia de urgência”, disse Diane.

Em seu site, a prefeitura informa que a procura por exames de prevenção tem ficado abaixo do esperado e que no primeiro semestre deste ano foram realizados 3.356 exames preventivos do câncer de colo de útero e 1.179 mamografias.

No mês passado, a administração municipal reduziu 75%, de R$ 200 mil para R$ 5 mil, a cota de consultas e exames médicos no Cis-Comcam (Consórcio Intermunicipal de Saúde da Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão).

A prefeitura havia informado já que haverá reduções em todas as áreas do município devido à baixa arrecadação. Por outro lado, o município arrecadou R$ 234,6 milhões de janeiro a agosto deste ano, valor 5,48% maior ante o mesmo período em 2018.

Em um ofício enviado pela prefeitura ao consórcio de saúde foi informado que os recursos seriam normalizados a partir de 2020. Em uma reunião do Comus (Conselho Municipal de Saúde), o secretário de Saúde, Sérgio Henrique dos Santos, afirmou que a redução no orçamento no Cis-Comcam será de R$ 700 mil até o final de 2019 para fazer aportes na Previscam (Previdência Social dos Servidores Públicos Municipais de Campo Mourão).

O i44News aguarda resposta da assessoria de imprensa da prefeitura sobre a cirurgia que Diane precisa fazer e número de mulheres à espera de histerectomia, ultrassonografia transvaginal e mamografia.

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