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Cultura

Dia das Crianças da Vila Guarujá com cinema e pipoca

Passeio é presente de um clube de serviço em Campo Mourão. “É muito legal, divertido”, diz Maria Clara, 7 anos

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O ônibus para na Avenida Goioerê, na região central de Campo Mourão, e um dia mágico começa no cinema para 138 crianças que estudam na Escola Municipal Castro Alves, na Vila Guarujá, um dos bairros com menor infraestrutura na cidade. Tarde mais que especial para Maria Clara Bach Brogiato, 7 anos, que ficou de frente para a tela grande pela primeira vez.

Na fila, a ansiedade é visível para entrar, pega uma lata de refrigerante, a pipoca e se acomodar na poltrona na sela escura. As professoras vão controlando, organizando a entrada. É tanta criança que o ônibus precisou fazer duas viagens.

Na frente da tela, Maria Clara, aluna do segundo ano do ensino fundamental, encantou-se com a animação Angry Birds 2 – O filme, história de passarinhos mal-humorados e divertidos, enquanto bebia guaraná e comia pipoca, sem pressa, uma de cada vez . “O pessoal ficava falando como era o cinema, mas nunca tinha vindo. É muito legal, divertido. Vou contar para o meu pai e minha mãe”, disse.

O pessoal que Maria Clara se refere são os colegas da Escola Castro Alves. As crianças da instituição de ensino ganham anualmente do Leo Junior, da associação Lions Clube, os ingressos, pipoca, refrigerante e uniforme para comemorar o Dia das Crianças no cinema.

Maria Vitória Ferreira de Martins, 9 anos, que está no terceiro ano do fundamental, afirmou que a animação tem tudo a ver com a sua vida porque os personagens “entram numa briga”. “O filme é legal porque puxou pra mim. Quando os piás de irritam fico brava. Falo que se continuarem ovou brigar com eles ou contar para a professora”, diz.

A diretora da instituição, Luana Xavier de Quadros, diz que o dia do cinema é esperado pelos estudantes. A ansiedade toma conta da criançada para fazer o passeio. “Eles já começam a perguntam no início do ano quando a gente vai ao cinema”, afirmou.

Maria Vitória disse que já tinha ido ao cinema duas vezes com a família, mas que brincar no ônibus com as outras crianças também é divertido. “Todo mundo da escola está aqui e quando a gente chegou tinha filme, pipoca e um monte de coisa. Tem doce, pessoas.”

De acordo coma diretora, a condição de Maria Vitória não é a mesma da maioria dos estudantes da instituição. Ela diz que esta é uma oportunidade para crianças cujas as famílias não têm condições de bancar passeio ao cinema. “É um presente para as crianças. Muitas vêm só com a escola uma vez por ano”, afirmou.

A Vila Guarujá, com cerca de 60 anos e mil moradores, fica a 12 quilômetros do centro da cidade. As ruas são de terra, algumas com cascalho. O bairro é formado por casas simples e terrenos com plantações de milho, mandioca, hortaliças, mato alto e até criação de cavalos, aves e porcos.

No dia do cinema, diz a diretora, crianças têm a chance de conferir a área central. “Alguns vêm para a ‘cidade’ só nesse passeio. Veem os prédios, coisas diferentes e ficam emocionados, encantados.”

Cinema

O cinema na Avenida Goioerê é um dos poucos de rua no Estado. A Ancine (Agência Nacional do Cinema) calcula que 17% das salas no país não funcionam em shoppings, incluindo os que não têm localidade conhecida, como os cineclubes.

Segundo o proprietário do cinema, Hélio da Graça, a sala resiste há 15 anos na avenida porque em Campo Mourão não existe shopping. Há também sala nas dependências de um supermercado e outra será aberta até o final deste mês.

No ano passado, o parque exibidor brasileiro fechou com número recorde, com registro de 3.356 espaços, maior número desde 1975, quando 3.276 estavam na ativa. O índice mais baixo, de 1.033 salas, foi em 1995.

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