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Vida e Estilo

‘Minha égua Jurubeba’

Heloísa faz aula de três tambores no parque de exposições, que é movimentado diariamente pela escolinha e doma de cavalos

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A bota e o cinto são estilosos, a calça suja de poeira mostram coragem e disposição e a parceira com a égua Jurubeba segue firme. É mais um dia de treino de três tambores, modalidade esportiva com cavalos, para Heloísa Greco Gasparelli, 15 anos, e outras adolescentes no Parque de Exposições Getulio Ferrari, em Campo Mourão.

O parque às margens da BR-158 é mais conhecido por ser o local da Festa Nacional do Carneiro no Buraco, evento que há 2 anos não é realizado e teve 27 edições, mas diariamente é movimentado por atividades com cavalos.

São treinamentos de potros, doma e também funciona uma escolinha de laço e três tambores, provas disputadas em circuitos e nos rodeios.

A adolescente treina tambor desde julho do ano passado. Já participou de competições regionais, com boas colocações, e a pretensão para 2020 é disputar provas em rodeios. Para isso, treina três vezes por semana e precisou deixar as aulas de futsal e circo para encarar com Jurubeba o desafio de fazer os percursos na pista no menor tempo possível e se tornar uma amazona. “Tem que se dedicar muito e ter amor. Tirar um tempo só para isso”, disse.

Heloísa diz que desde criança sempre foi muito ligada a cavalos e desde que ficou sabendo das aulas no parque não pesou duas vezes em entrar para o esporte. Habilidade e entrosamento com o animal são essenciais na modalidade. “Parece que estou livre. Monto minha égua e sou outra pessoa. Na pista mudo completamente. Somos eu ela como uma só”, afirmou.

Elisa é uma das alunas do treinador Ivan Ribeiro, que há 12 anos trabalha no Núcleo Mourãoense de Quarto de Milha e também faz a doma de animais. Na associação há hoje 35 animais.

A maioria dos alunos de três tambores no parque é menina. São adolescentes que encontraram satisfação no esporte com cavalos. Os treinos são diários no local e Ribeiro diz que a modalidade vem crescendo. “Nos rodeios é muito incentivada competição de mulheres no tambor”, disse.

Além das aulas, Ribeiro faz a doma e treinamento de cavalos, que estão prontos para isso a partir dos 2 anos. O tempo médio do trabalho com cada animal é de 6 meses. “Depende da índole de cada cavalo.

Para ele, o maior desafio é se deparar com animais arredios. Mas também é gratificante ver que o cavalo está dócil depois do trabalho diário. “Cavalos deve ser tratado com respeito e não pode maltratar. Corrigir na hora que é preciso. Tem que ter firmeza e não violência”, afirmou.

Na associação há 35 cavalos nas baias. Parte do animais, depois de domados, segue para os treinamentos de três tambores e laço em dupla com os alunos da escolinha. “O Quarto de Milha é mais fácil de mexer, é mais dócil”, diz.

Para alguns proprietários, diz Ribeiro, os cavalos são uma terapia. Eles vão apenas para dar banho e escovar os animais. Outros levam os filhos para montar. “É um hobby, como pescar ou fazer uma trilha.”

Três tambores

As primeiras competições de três tambor começaram no final de década de 1940 no Texas, nos Estados Unidos, em uma luta das mulheres por espaço nos rodeios. Hoje, a modalidade é tradicional em festas de peão no Brasil.

A prova é de velocidade e consiste em contornar três tambores em um percurso triangular em uma arena no menor tempo possível. Os tambores ficam a uma distância de aproximadamente 30 metros um do outro.

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