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Educação

Na Apae em Campo Mourão, evolução de Thiago vem do repeito e carinho da escola com 45 anos de história

Presidente da instituição no município diz aprender com os estudantes o que é amor, paciência e resignação

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Na aula de geografia e história, Thiago Emanuel Nascimento Quadros, 13 anos, é comprometido em fazer a tarefa passada pela professora. É concentrado e fala com seriedade sobre os estudos. A evolução educacional do menino passa por outros personagens na Escola Especializada Josephina Wendling Nunes, unidade da Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais) em Campo Mourão, e tem no respeito e carinho alicerces.

Histórias como a da diretora Vanessa Piassa Consta e sua mãe, Delmira Pereira Piassa, educadora social, uma das primeiras professoras da Apae no município que se aposentou na função e continua trabalhando na unidade. E de Antonio de Souza, 50, um dos primeiros alunos da escola e integrante do projeto “Do, re, mi, faz tudo”, aulas de música extracurrilares oferecidas pela instituição.   

A professora de geografia e história, Celma Krenski, afirma que Thiago também é comprometido com as tarefas em outras disciplinas. É uma característica do menino. “Faço tarefas de matemática, português geografia, canto música de viola”, disse Thiago, emendando uma cantoria de “É pra caba”, música da dupla João Carreiro & Capataz. “É pra caba com o pequi de Goiás. É pra roer todo o queijo de Minas”, diz a canção.

Alegria para Thiago é fazer as tarefas, música e assistir na tevê os palhaços Patati Patatá. “Eles são divertidos porque cantam trem da fantasia.” A evolução do menino é vista por sua sociabilidade. Ele é comunicativo, tem amigos e os encontra fora da escola para estudar, jogar vídeo game, brincar ou assistir tevê.

Thiago ingressou na Apae quando tinha 6 anos. Já Antonio entrou para a escola em 1978, início do funcionamento na sede própria. A Apae em Campo Mourão foi fundada em 1974 e, em 1977, as aulas eram em uma casa de madeira. Ele é ex-aluno há 5 anos, mas segue nas ulas de música. “O Antonio canta bem, tem ritmo e toca instrumentos”, disse o professor do projeto “Do, re, mi, faz tudo”, Luiz Antônio Berganso.

No mesmo ano que Atonio entrou Delmira, uma das primeiras professoras da instituição e que segue abraçando o ofício da educação especial, agora na função de educadora social. Ela construiu uma história na Apae que envolve a filha Vanessa, hoje diretora que trabalha na escola desde 2000. “Ela [filha] engatinhava aqui. Vinha desde bebê comigo”, disse Delmira.  

A presidente da Apae em Campo Mourão, Jocy Angela Cristofoli, diz que vive a esperança, com uma equipe especializada, de testemunhar e evolução dos alunos com o objetivo de inserção social.

Ela afirma aprender com eles, com a amorosidade das crianças ao ponto de receber abraços na porta da escola quando chega, e os pais que são “eternos cuidadores”. “Há dificuldade, mas aqui aprendo o que é o amor, paciência e resignação”, disse.

 Apae em Campo Mourão

A Apae em Campo Mourão tem duas unidades. Uma é chamada de urbana, a Escola Josephina Wendling Nunes, no Jardim Ana Eliza, e oura rural, a Escola Maria José Carneiro de Machado, às margens da BR-487, com ensino especializado para crianças, adolescentes e adultos com deficiência intelectual, múltiplas e TEA (Transtorno de Espectro Autista).

A urbana tem 120 alunos com até 15 anos matriculados no ensino fundamental (1º e 2º anos) a rural 240 na EJA (Educação de Jovens e Adultos), com ecoterapia.

Segundo a presidente da Apae em Campo Mourão, a instituição é mantida com recursos governamentais, captação por meio da central de doações e promoções de eventos como o Porco Fest, de responsabilidade do Rotary Club Gralha Azul, e a Festa Junina do Colégio Integrado.

As unidades no município participam da Apae Noel, promoção da Apae Brasil, que neste ano vai sortear cinco carros. O bilhete premiado comprado em Campo Mourão beneficia a instituição com um veículo.

Jocy diz que o maior déficit da Apae é com os atendimentos médicos e média e alta complexidades na unidade de saúde, com atendimento para alunos e pessoas com diagnóstico de deficiência intelectual, múltiplas e TEA. Por cada consulta médica, a instituição paga R$ 90 ao médico e recebe R$ 17,67 do SUS (Sistema Único de Saúde). O gasto médio mensal é de R$ 130 mil.

Da mesma forma que na saúde, a área de assistência social tem projetos voltados para matriculados na Apae e quem não é aluno com laudo médico.

A ajuda também vem do voluntariado. A presidente, que trabalha como gerente de marketing e comercial, e membros da diretoria são alguns. O professor de música do “Do, re, mi, faz tudo” também faz trabalho voluntário na instituição.

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