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Cidadania

Um novo caminho longe das drogas para elas no Lar Dom Bosco em Campo Mourão

Comunidade terapêutica para mulheres em Campo Mourão tem tratamento baseado em mudança de estilo de vida e religiosidade

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Daniele, 48 anos, caminha ao lado da irmã Viviane Cristina Rodrigues, diretora do Lar Dom Bosco, comunidade terapêutica em Campo Mourão, na calçada feita em paver, limpa, impecável, com algumas pedras pintadas em branco e pinheiros aparados. O trajeto entre a administração e os dormitórios representa transformação para ela e outras mulheres em busca de mudança de estilo vida na entidade.

A mulher, que diz que ter o filho como seu anjo da guarda, é uma das nove acolhidas pelo Lar Dom Bosco, entidade dirigida pela congregação Copiosa Redenção, da Igreja Católica.

O tratamento é baseado na religiosidade e pesquisas feitas pelo norte-americano George de Leon, reconhecido com uma das principais autoridades mundiais em tratamento e pesquisa sobre comunidades terapêuticas. “A droga tomou conta de mim e chegou ao ponto do meu filho ver que eu precisava de ajuda”, disse Daniele (nome fictício).

Esta é segunda vez que a Daniele faz o tratamento na instituição. Na primeira oportunidade não completou o tempo mínimo de 9 meses. Dias antes de chegar, em um dia consumiu 12 gramas de cocaína e pediu ajuda a uma amiga porque pensou que teria uma overdose e iria morrer. “Já não queria trabalhar e pensava na droga o tempo todo.”

Danile diz que tinha uma vida equilibrada, com emprego estável, casa, carro, mas um vazio a levou ao uso de entorpecente. Perdas, frustrações e a sexualidade forma fatores preponderantes. Ela afirma que tinha uma vida dupla, um namorado de “fachada” e uma namorada escondida. “Agora sei que sou homoafetiva. Mas acho que era mais fácil minha família aceitar uma filha alcoólatra ou dependente química do que homossexual.”

Quase na metade do segundo tratamento na comunidade terapêutica, Daniele diz que conseguiu entender que a sexualidade à empurrava para a droga por pensar que tinha um “problema”. “Não me aceitava, não era feliz. Quando contei para a irmãs tirei um peso das minhas costas e elas me acolheram”, disse.

Mostrar um novo caminho para mulheres com dependência química é o trabalho de cinco irmãs da Copiosa Redenção no Lar Dom Bosco. O tratamento tem duração de 9 meses a 1 ano, com auxílio de assistente social, psicóloga e psiquiatra.

De acordo com a irmã Viviane, a faixa etária de atendimento na entidade vai de 12 a 55 anos e mãe nutriz, com filho de até 1 ano. As mulheres são encaminhadas por secretarias municipais e Saúde e pelas famílias. A internação é voluntária. “O tratamento é baseado na mudança do estilo de vida”, disse.

Apesar de a entidade ter capacidade para atender 30 mulheres, atualmente há nove em tratamento. A irmã diz que para elas é mais difícil reconhecer que é dependente química porque o preconceito é maior que o enfrentado pelos homens com a mesma doença. “Quando assume a dependência química corre o risco de ser deixado de lado.”

Entidade

A congregação Copioso Redenção está há 20 anos onde hoje funciona a comunidade terapêutica para mulheres. Mas o trabalho com dependentes químicas começou em 2003. Antes, a entidade atendia crianças e adolescentes em conflitos familiares.

De acordo com a irmã Viviane, a instituição é mantida por meio de convênios com governo municipal e Senapred (Secretaria Nacional de Cuidados e Prevenção às Drogas), órgão do Ministério da Cidadania, doações e promoções.

As campanhas para conseguir recursos são bazares de roupas usadas em salões paroquiais e a Noite dos Caldos, que deverá ter a sexta edição em maio do próximo ano. A ação atual é venda de pizzas até o dia 31 de dezembro.

  • Quem tem interesse em fazer doação de vestuário, alimentos ou em dinheiro deve ligar para o telefone (44) 3523-8582.

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