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Saúde

Aids: ‘Preconceito, geralmente, é velado. Quem sofre sente’, diz soropositivo

Neste domingo é o Dia Mundial contra a Aids. Campo Mourão e região registraram 65 casos da doença neste ano

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O preconceito é um dos maiores obstáculos do combate à aids. A Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids) coloca que o estigma e a discriminação prejudicam os esforços no enfrentamento à epidemia. E ele vem, muitas vezes, de forma velada. É o que relata um servidor público soropositivo há mais de 20 anos.

“Mas dá para distinguir. Quem sente sofre”, diz o homem de 43 anos. “Colegas de trabalho são cruéis”, afirma ele sobre outras ações mais diretas de preconceito pelas quais passou.

A doença desconhecida nos anos 80, que casou mortes e esparramou medo, já foi chamada de “peste gay” e “câncer gay”. De lá pra cá, os tratamentos avançaram e soropositivos têm melhor qualidade de vida.

Segundo a Unaids, cerca de 37,9 milhões de pessoas vivem com HIV no planeta, mais da metade está em tratamento e o número de mortes por complicações resultantes da aids caiu mais de 44% neste ano em comparação com 2004.

O servidor foi diagnosticado com HIV em janeiro de 1998 e teve a confirmação em 2004, depois de relutar contra a presença do vírus e ficar debilitado. Ele foi internado e a médica infectologista lhe deu uma notícia apavorante. “Se eu sobreviesse a 24 horas de tratamento viveria muito mais. E assim foi”, disse.

Depois de fazer o tratamento no interior de São Paulo, o homem retornou a Campo Mourão e no trabalho na prefeitura foi alvo de preconceito de outros servidores em diversas situações. Ele diz que um colega jogou no lixo uma xícara de café que ele tinha usado sob a alegação de “prevenir contaminação. “Foi muito doloroso.”

O homem diz que o uso retrovirais lhe confere uma situação de vida normal como a de qualquer outra pessoa. “Mas a falta de informação e a ignorância são grandes. As pessoas precisam entender que hoje uma pessoa propositiva tem vida normal e é um ser humano que precisa ter qualidade de vida para seguir em frente.”

Casos

A Coordenação de DST/Aids em Campo Mourão registrou neste ano 65 casos da doença no município e 24 cidades da região, dois a menos que no ano passado inteiro. Desde 2003, início do funcionamento do SAE (Serviço de Ambulatório Especializado), são 627 casos e 327 pessoas estão em tratamento.

Segundo a coordenadora municipal de DST/Aids, Ana Lúcia Cardoso, 40% dos casos em 2019 são de homens entre 19 e 29 anos. “É uma grande preocupação atual porque as pessoas estão se cuidando menos”, disse.

Após 38 anos da descoberta da aids – a doença foi identificada em 1981 -, a Medicina avançou ao ponto de permitir que o soropositivo leve uma vida normal, com carga viral menor que 1%. Mas com a evolução diminuíram os cuidados e a prevenção. “Temos recebido a maioria dos casos do sexo masculino que estão se arriscando, que acreditam que nada pode acontecer com eles”, afirmou Ana Lúcia.

Conforme a coordenadora, o PrEP (profilaxia pré-exposição), tratamento preventivo à base de comprimidos que visa impedir a entrada do HIV no organismo, está disponível para quem teve relação sexual desprotegida e casos como violência sexual e acidente ocupacional.

Neste sábado (30), por conta do Dia Mundial de Combate à Aids (1º de dezembro), as UBS (Unidades Básicas de Saúde) de Campo Mourão vão aterrecer teste rápido de HIV no período da manhã.

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