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Solidariedade

Nas casas de Imaculada, cães e gatos ‘saem pelo ladrão’

Maria Imaculada é vice-presidente da Associação Pai Francisco, que está em luto pela morte por envenenamento de 11 cães

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Duas casas em Iretama (a 50 km de Campo Mourão) abrigam 48 cães e 60 gatos. Os animais são cuidados pela vice-presidente da Associação Protetora dos Animais Pai Francisco, Maria Imaculada Braz, 67 anos, que há duas semanas registrou boletim de ocorrência pela morte por envenenamento de 11 cachorros de rua que eram cuidados pela entidade.

Gritar do portão ou bater palma em frente às casas de Imaculada na Travessa Marechal Costa e Silva, na Vila Progresso, são atos seguidos de sonoros latidos sequenciais. Entrar é ver cachorros e gatos saindo de cômodos e espalhados pelo quintal.

Imaculada diz que os animais destruíram o interior da casa de 60 metros quadrados que ela morava e o imóvel acabou fincando para eles. Ela foi para a residência vizinha morar com a irmã, que ajuda a cuidar dos bichos. “Fui praticamente expulsa. Os gatos estragaram o forro e o cães acabaram com os móveis e casa ficou sem condições de moradia”, disse.

Ela construiu um canil com seis baias no fundo da casa que hoje é só ocupada por cães e gatos. Dentro do imóvel que mora com a irmã ficam 14 cães que passam a maior parte do dia na sala e cozinha.

Entre os animais que ficam na sala está Maia, uma vira-lata que não sai do sofá e precisa ser carregada para defecar ou beber água. A cadela teve cinomose, uma doença altamente contagiosa, e perdeu os movimentos. “Ela é o nosso bebê”, disse Imaculada, segurando Maia no colo. Do jeito dela, Maia interage com os outros cães com mordidas e latidos.

Imaculada cuida de cães abandonados há 30 anos. Precisou mudar da região central da cidade para a Vila Progresso por conta de reclamações de vizinhos do barulho provocado pelos cães. “Onde moro hoje todos os vinhos têm animais, então fica mais fácil.”

Ele afirma que não escolheu, mas que foi escolhida para a missão de cuidar de animais abandonados. Depois de ganhar um cachorro para não se sentir tão sozinha na cidade que havia se mudado há pouco tempo vieram outros. “As pessoas viram que eu gosto de animais e começaram a trazer”, disse.

Na cidade, as casas de Imaculada são pontos certos para quem quer se livrar de animais. Filhotes são deixados na calçada e ela os leva para dentro e também para a associação. “Já ouvi: ‘se não ficar eles vou deixá-los na rua ou matá-los”, diz.

Mortes

De acordo com a vice-presidente da associação, os cães foram mortos na sede da entidade, na Travessa Estados Unidos, entre os dias 10 e 13 de deste mês.

O laudo de necropsia diz que o quadro é compatível com intoxicação por veneno dos grupos do carbamatos ou organofosforado (chumbinho). “No dia 10 fui dar olhada nos animais e havia uma cachorra morta no meio-fio. Depois ficarmos sabendo de vários cachorros mortos”, disse Imaculada.

A entidade não tem abrigo. É uma casa de madeira onde funciona um bazar de roupas usados. O dinheiro das vendas é usado para custear alimentação e tratamento veterinário de cães abandonado e maltratados. Na quinta-feira (28), quem fez a recepção na entidade foi Zé, um vira-lata simpático com três pernas.

“Foi traumatizante. Estamos em luto. A gente vinha aqui e era recebido festivamente por eles. Ficaram um vazio muito grande e muitas interrogações”, afirmou.

Imagens de câmeras de vigilância do destacamento da Polícia Militar, que fica ao lado da casa da associação, mostram um homem com uma sacola de plástico entrando na propriedade no dia 12 de novembro, às 5h30. Ele permanece cerca de 15 segundos no local e volta a caminhar pela travessa.

Conforme o delegado de Iretama, Henrique Lacerda, as imagens do “individuo em atitudes suspeitas” estão sendo analisadas e suspeitos de matar os animais estão sendo avaliados pela Polícia Civil.

“Outras informações não podem ser divulgadas para não causarem prejuízos às investigações”, diz nota enviada pelo delegado.   

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