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Justiça

Pediatra da UPA 24 Horas é condenado a 9 anos e 4 meses de prisão por ato libidinoso

Caso envolve adolescente em UBS de Campo Mourão

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O médico Arthur Gouveia, 71 anos, foi condenado pela justiça de Campo Mourão a 9 anos e 4 meses de prisão em regime fechado por ato libidinoso em um caso ocorrido na UBS (Unidade Básica de Saúde) Sadayoshi Shimizu, no Jardim Lar Paraná, em Campo Mourão, em 2015, que envolveu uma adolescente menor de 14 anos.

O médico vinha atendendo na Pediatria da UPA 24 Horas (Unidade de Pronto Atendimento) e também trabalhou ano passado no Posto 24 Horas do Jardim Lar Paraná, que foi desativado pela prefeitura.

A sentença foi proferida pelo juiz Mario Carlos Carneiro, da 2ª Vara Criminal de Campo Mourão. O médico pode recorrer em liberdade.

A denúncia foi feita pela mãe da adolescente, que trabalhava na UBS. O então secretário municipal de Saúde, Márcio Alencar de Oliveira, cedeu equipamento à mulher para gravar o médico oferecendo dinheiro para ter relação sexual com a filha dela.

No entanto, mesmo depois de receber o conteúdo, como afirma a mãe na denúncia, a administração municipal não abriu sindicância para apurar a conduta do médico que trabalhou para a prefeitura entre outubro de 2013 e fevereiro de 2016. O ex-secretário afirma que não forneceu equipamento de gravação à mulher e não teve acesso ao material gravado.

Em maio do ano passado, a mãe ficou indignada ao procurar atendimento no Posto 24 Horas e ver que o médico estava atendendo na Pediatria. Ele trabalhou até janeiro de 2019 na Prefeitura de Nova Tebas (a 80 km de Campo Mourão), cidade onde se mudou após a denúncia, e voltou a trabalhar em Campo Mourão.

E, na UPA 24 Horas, ela e a filha deixaram o local sem serem atendidas ao saberem que o médico estava atendendo na unidade.

O médico não foi localizado pela reportagem do i44News

Gravação

O material – gravação com 16 minutos de diálogo entre a mãe e o médico – foi entregue à 16ª Subdivisão Policial de Campo Mourão, que abriu inquérito pela prática de crime contra a dignidade sexual de criança e adolescente.

A gravação começa com a mãe falando que iria pedir férias do trabalho na UBS em janeiro de 2016 e o médico pergunta a ela: “Então eu vou ficar sem você quanto? Vinte dias?” E, na sequência, afirma: “Então aquilo que eu falei para você vai ter que esperar até você voltar?”

A mão diz ter medo de “falar as coisas” e outras pessoas escutarem, já que aquela era uma conversa que os dois tiveram no dia anterior. Mas pergunta ao médico o que pretende fazer com a filha dela.

“Ai meu Deus do céu! Olha, vou te explicar. Olha, eu queria sair com ela. E você tem que ajudar, certo? Uma vez ou duas por semana, uma vez por semana, se você pudesse me ajudar”, diz o médio.

O médico prossegue e afirma que a mãe da menina é “não é uma safada” e que ela o considera um amigo. “Seria muita sacanagem se eu tivesse transando com ela, saísse espalhando e a tratasse como uma qualquer”, disse.

Na tentativa de persuadir a mãe, o médico afirma que quanto mais cedo a adolescente deixar o namorado melhor seria. Toca no assunto de dinheiro, a mãe pergunta que se ele está querendo ganhar a confiança dela primeiro para depois fazer algo. “Não é só isso. Pra evitar doença, que eu digo, é que se acontecer alguma coisa…. Precisa de dinheiro? Para algum curso, alguma coisa? Se eu ajudar, eu quero ajudar, porque então eu queria uma vez por semana”, afirmou.

O médico deixa a entender na gravação que pode ajudar a menina com pagamento de curso, algo que a menina queira comprar e oferece dinheiro. “Quanto você quer? Se ela topar, R$ 500, R$ 600, R$ 1 mil. Então tá, isto eu não queria. Eu queria sair com mais tempo. Com tempo, ajudar ela com tempo. Não são R$ 600, R$ 700. Deve ser bem mais, tem o curso, uma coisa que ela vai querer comprar, né?

A escriturária fala ao homem que é difícil para uma mãe aceitar uma proposta dessa natureza. “Só tem uma coisa. É como se fosse um namorado, só que adulto”, responde o médico. A mãe, então, pergunta: “Se fosse uma filha tua, como você se sentiria?”

O médico responde: “Olha, no caso, eu vou falar uma coisa bem séria para você. Se fosse uma pessoa boa, que desse condições da minha filha de ter essa liberdade para fazer o que quisesse, eu daria, porque assim não estou tolhendo a liberdade dela não.”

O médico atendia na UBS Sadayoshi Shimizu, local onde a mulher também trabalhava e levava a filha para passar as tardes com ela porque estava com quadro de depressão. A mãe afirma que o homem passou a mão nas pernas da menina, depois a beijou à força dentro do consultório e lhe fez a proposta para que ela aliciasse a menina.

Prefeitura

O secretário municipal de saúde, Sergio Henrique dos Santos, afirmou que o médico é contratado da empesa Mais Saúde Serviços Médicos, que presta serviço para a prefeitura, e que ele será afastado do trabalho da unidade.

Santo não soube informar qual o plantão mais recente do médico na UPA 24 Horas. Na unidade, um funcionário disse que ele não trabalhou nesta segunda-feira (6).

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