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Ele saiu de Passos (MG) de bicicleta para uma jornada 1,1 mil km sem recursos até Foz do Iguaçu para trabalhar

André Luiz Nacif partiu do Sul de Minas Gerais há mais de 1 mês sem dinheiro, “apenas com a coragem”

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A temperatura no final da manhã desta quarta-feira (20) era de 30 ºC, quando André Luiz Nacif, 46 anos, pedalava a bicicleta nas descidas e a empurrava nas subidas da PR-317, em Engenheiro Beltrão (a 30 km de Campo Mourão), para uma jornada sofrida até Foz do Iguaçu de 1.170 km que começou há pouco mais de 1 mês em Passos (MG).

Dores na costela tornaram a viagem mais desgastante. Descendente de Libanês, Nacif quer chegar na fronteira do Brasil com o Paraguai para encontrar patrícios, árabes que têm estabelecimentos comerciais em Cidade do Leste.

Nacif já havia percorrido nesta quarta-feira cerca de 850 km estava próximo de Campo Mourão. Mas está pensando em desistir e pegar o ônibus para Cascavel, no oeste do Paraná, ficar alguns dias na cidades, depois seguir para Foz e ser contratado para trabalhar em restaurante árabe ou loja de eletrônicos no Paraguai. “Não peço arrego, mas do jeito que estou não dá”, disse o ciclista.

O ciclista diz que percorre as estradas no pedal há cerca de 20 anos e já foi para países da América do Sul. “Sou de sagitário, aventureiro”, afirmou. Ele não pegava a rodovia havia 3 anos e há pouco mais de 1 mês resolveu deixar Passos, cidade onde vive desde os 10 anos, e fez uma parada em 10 dias em Paranavaí, no noroeste do Estado.

Na casa de amigos, começou a trabalhar na cidade e acabou machucando o dedo e teve que parar. “Não consegui ganhar nada e continuei a viagem até Foz de bicicleta.”

Ele saiu de Passos sem dinheiro no bolso, como ele diz, apenas com a coragem. Não dispõe de equipamentos que poderiam tornar a vida dele mais fácil na estrada, acessórios para a bicicleta ou sobrevivência na estrada.

Nesta quarta-feira, Nacif estava em um posto de combustíveis em Ivailândia, distrito de Engenheiro Beltrão, e pedia dinheiro aos motoristas para comprar a passagem de ônibus até Cascavel por cerca de R$ 60. “O jeito é colocar a bicicleta no bagageiro e seguir em frente. Preciso chegar em Foz e trabalhar”, diz.

Segundo Nacif, ele sofreu uma queda no trabalho em Paranavaí. Machucou o dedo e, provavelmente a costela. Mas não foi ao médico para ter um diagnóstico mais preciso. “Quando pedalo forte dói muito e tenho que parar.”

O ciclista retomou a viagem de Paranavaí no domingo (19). Dormiu em Maringá e nesta manhã voltou à estrada. O plano era parar em um posto em Peabiru para conseguir o dinheiro da passagem. “Esperar algum filho de Deus para poder me ajudar e eu chegar mais rápido.”

Nacif afirma que roda, em média, 100 km por dia. Trechos em aclive acentuado, como alguns na PR-317, exigem esforço descomunal por causa da bicicleta mais pesada, carregada com coisas que ele precisa na viagem. A pele castigada pelo sol não esconde a sofrida viagem até a fronteira.

Na bicicleta, que ele diz ter recebido de presente da fabricante em Teresina (PI), ele carrega pneu, outros equipamentos, algumas peças de roupas e uma barraca para poder dormir na estrada.

Nacif passa as noites em postos de combustíveis, em locais mais seguros. Ele afirma que foi furtado uma vez em suas viagens de bicicleta. Teve a carteira levada por marginais.

Nos estabelecimentos, pede para tomar banho. Ele diz que ao chegar já “troca uma ideia” com o responsável” parar poder dormir e se assear. Pela estrada encontra gente de todo tipo. “Tem pessoas boas e ruins. Há pessoas que não dão valor em nada”, disse.

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