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Ela tem 95 cm de altura, ele 1m75 e vivem felizes em Campo Mourão

Maria e Miguel são casados há 29 anos. Ela trabalhou em circos e programas de tevê e dirige uma minivan

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Com 95 centímetros de altura, tênis tamanho 25, ao lado do marido argentino de 1m75, Maria Colonheze de Macias, 66 anos, entra no carro, liga o motor e manobra para tirá-lo da garagem de casa no Lar Paraná, em Campo Mourão, rumo ao centro da cidade. A cena sintetiza a expressão popular “tamanho não é documento”, uma vida de superação e que o amor, sim, quebra barreiras.

Quando nasceu, Maria diz que cabia em uma caixa de sapatos. Na infância, ouviu a mãe falar que não cresceria, mas seria uma menina muito especial e ganharia a felicidade. “Pelo tamanho, eu sou muito feliz”, disse. Eram seis irmãos, mas apenas ela com nanismo, transtorno que se caracteriza por uma deficiência no crescimento. “Eu fui a premiada”, diz.

Maria é casada há 29 anos com Miguel Angel Macias, 60 anos, trabalhou em circos e programas de tevê, comprou uma casa – fez as adaptações no imóvel pra usas limitações – e um carro grande, uma minivan, com espaço para levar até sete pessoas. O tamanho nunca foi limitador para ela.

“Nunca desista do seu sonho. Cada um é capaz de realizar coisas. Se você tem um sonho corre atrás, lute”, diz.

Ela tinha 5 anos quando se mudou com a família e Santa Mariana, no norte do Paraná, onde nasceu, para Campo Mourão. Ficou até os 18 anos, foi estudar em Maringá, morou em Peabiru e aos 26 conheceu o circo em São Pedro do Ivaí, cidade na qual passava alguns dias na casa de parentes. “Eles me convidaram para trabalhar e eu fui.”

Depois de se aposentar, Maria deixou São Paulo e voltou para Campo Mourão para ter uma vida desacelerada junto com o marido. “Campo Mourão não oferecia tantas possibilidades. Fui, lutei e voltei para a tranquilidade”, disse.

Felicidade 1

Maria e Miguel se conheceram em Buenos Aires há quase 30 anos. Ela estava na cidade com o circo Vostok, fundado em 1873 e uma dos maiores da América do Sul, mas que também ficou conhecido pela tragédia em abril de 2000, em Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana de Recife (PE), em que um criança de 6 anos foi devorada por leões.

Ela se emociona ao recordar do dia em que se conheceram na capital argentina. Maria chama Miguel de “vida” e “paixão”. “Foi amor à primeira vista”, afirmou.

Tudo começou quando irmão de Miguel foi ao circo e falou que tinha uma mulher pequena lá. O rapaz foi conferir, conversou com Maria, mas ela não quis saber porque ele já estava comprometido com outra moça .

Um ano depois, Maria voltou a Buenos Aires com o circo e Miguel não era mais noivo. Eles começaram a namorar e ela lhe dirigiu um pedido, que ele a respeitasse como mulher. “Sempre pedi a Deus que me mandasse uma pessoa que me aceitasse do jeito que sou. Sou pequena, mas tenho o direito de ser feliz.”

Maria diz que Miguel a aceitou e a respeitou. Casaram-se e os dois mantêm um relacionamento especial até hoje. “O amor enfrenta qualquer obstáculo”, afirmou.

Felicidade 2

Maria trabalhou com palhaços em circos em papeis como mulher bala, noiva, bailarina. Em São Paulo, era contratada por programas humorísticos de tevê por ser pequena para divertir os telespectadores.

Teve participações no Pânico na TV, programa da Rede TV. Ela era a Mariazinha do Pânico. Fez a personagem Renata Love Fan – paródia da apresentadora Renata Fan, da Band – e a Anã Hickmann, da apresentadora Ana Hickmann, da Record.

Maria também esteve no Dança dos Anões, do Programa da Tarde, na Record, na A Praça é Nossa, e Programa do Ratinho, do SBT. Também já trabalhou no Beto Carrero World, em Santa Catarina, no O Mundo da Xuxa e no extinto parque do Gugu, em São Paulo.

Com muito trabalho, ela conseguiu conquistar o sonho de ter uma casa. O imóvel recebeu adaptações para melhor qualidade de vida. “Em São Paulo, a vida era do trabalho para casa e de casa para o trabalho”, diz.

Feliciade 3

Em 2018, Maria realizou outro sonho, de dirigir e ter um carro. Depois de cinco meses de aulas em uma autoescola, ela conseguiu a carteira de motorista e comprou um carro grande, uma minivan. “Conquistei muitas coisas na vida e lutei muito para chegar onde cheguei.”

Maria ao volante da minivan adaptada

Maria diz que GBS, a placa do veículo, são as iniciais de “grande, bonito e saudável”. O carro tem o assoalho adaptado, com levantamento dos pedais e almofadas no banco do motorista.

Ela afirma que nunca enxergou sua estatura como uma dificuldade que a impedisse de realizar qualquer tipo de tarefa, desde dirigir, cozinhar, cuidar da casa e trabalhar. “Primeiro sonho foi ter uma casa e depois de ter um carro”, disse.

Maria diz que o maior obstáculo para dirigir não foi ela, mas “as pessoas” que não acreditavam que ela seria capaz. “As pessoas se surpreendem quando me veem dirigindo. Eu acreditava. Meu amor pela vida é muito grande.”

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