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Saúde

Central Hospitalar volta atrás e mantém atendimentos pelo SUS; vereador divulga fake news

Hospital notificou o Fundo Municipal de Saúde e a Promotoria sobre interrupção por causa de valores a receber

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A Central Hospitalar de Campo Mourão decidiu atender por mais 60 dias pacientes pelo SUS (Sistema Único de Saúde) encaminhados pelo município. A unidade chegou a notificar o Fundo Municipal de Saúde e o MP-PR (Ministério Público do Paraná) sobre a interrupção dos atendimento a partir do dia 31 de janeiro deste ano por causa de deficit entre a produção médica e hospitalar e o repasse feito pelo gestor, que em novembro do ano passado foi calculado em R$ 318,1 mil.

O valor mensal repassado pelo Fundo ao hospital é de R$ 703,7 mil. Nas notificações, a unidade informa que em novembro do ano passado, os atendimentos médico e hospitalar de alta e média complexidades pelo SUS demandaram R$ 1,021 milhão, portanto, um deficit de R$ 318.1 mil.

“Tal situação financeira tem acarretado em sérios riscos à continuidade das atividades médico/hospitalares da notificante [hospital]”, diz um trecho das notificações.

Ainda nas notificações, a Central Hospitalar afirma que o contrato foi assinado em dezembro de 2018, renovado em 30 de novembro de 2019, com final em 30 de janeiro deste ano.

De acordo com a sócia-proprietária e diretora-administrativa da Central Hospitalar, Lilian Achoa Claudino, os atendimentos a pacientes do SUS pelo município de Campo Mourão seriam interrompidos, mas foi feito um acordo com a prefeitura que resultou na continuidade da prestação de serviços por mais 60 dias para ajuste das contas. “O contrato venceu dia 30, tínhamos algumas pendências que estavam difíceis, mas nos reunimos e tomamos a decisão de não interromper o atendimento”, disse.

Lilian afirma que a prefeitura se comprometeu a cobrir o deficit referente a 1 ano de contrato e aumentar o repasse conforme o volume de atendimentos. Ela não quis informar qual o valor a unidade tem a receber. “Esse período de 60 dias é para fazer mudanças, caso sejam necessárias”, diz.

O secretário municipal de Saúde, Sérgio Henrique dos Santos, disse que a Central Hospitalar tem cerca de R$ 700 mil a receber da diferença entre o teto mensal repassado de R$ R$ 703,7 mil e a produção médica hospitalar e o que deficit apenas de novembro de 2019, no valor de R$ 318,1 mil, apresentado pela unidade nas notificações ao Fundo e ao MP-PR, correspondem à somatória de, pelo menos, mais três meses, agosto, setembro e outubro.

Segundo Santos, a prefeitura vai pedir à União e ao governo do Estado o aumento do teto e pagamento do retroativo ao hospital. “Caso o município não seja atendido terá que pagar esses valores”, diz.

O secretário diz que de 30% a 40% dos pacientes dos SUS em Campo Mourão são atendidos pela Central Hospitalar e o restante pela Santa Casa. No hospital, cerca de 60% dos atendimentos são do SUS.

Fake news

Depois que vídeos e comentários circularam nas redes sociais sobre a interrupção do atendimento a usuários do SUS na Central Hospitalar, baseados nas notificações feitas pela unidade ao Fundo Municipal de Saúde e Promotoria, o vereador Sidnei Jardim (Cidadania) correu para a frente do hospital para gravar um vídeo, defender a administração municipal e falar que a oposição estava mentindo.

No vídeo feito no sábado (1º), o parlamentar, líder do governo na Câmara, diz que a “oposição criou um factoide” em ano eleitoral. Mas ele ignorou no vídeo as notificações sobre a interrupção do atendimento feitas pela unidade de saúde, dizendo que a oposição criou uma história mentirosa. “A oposição começa a criar mentiras e mandar mentiras para a população”, disse.

O vereador diz também: “Por isso que estou aqui gravando esse vídeo. Para você saber que isso é mentira. O hospital está funcionamento normalmente e vai continuar a atender a população”.

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