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História

Dissertação de mestrado diz que Josef Mengele, o ‘Anjo da Morte’ de Auschwitz, pode ter vivido em Mamborê

Nazista teria usado o pseudônimo Josef Kanat na década de 1950, um suposto médico alemão de procedimento cruéis

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Uma dissertação de mestrado de uma aluna da Unespar (Universidade Estadual do Paraná) suscita a possibilidade do nazista Josef Mengele ter vivido em Mamborê (a 33 km de Maringá) na década de 1950 com outro nome.

A dissertação “Josef Mengele sob a pele de Josef Kanat? Identidade, imaginação e erros médicos em Mamborê”, da mestranda em História Pública na Unespar em Campo Mourão, Jocimara Maciel Correia, 28 anos, trata de uma construção coletiva sobre o suposto médico alemão Josef Kanat ser, na verdade, Mengele.

Segundo Jocimara, Kanat chegou a Mamborê em 1956, ficou até 1958 e os moradores e a relação com Mengele foi suscitada no início da década de 1980, com as investigações sobre a morte do capitão da SS (Schutzstaffel, força paramilitar do Partido Nazista), que no complexo de campos de concentração de Auschwitz, no sul da Polônia, inspirado em teorias raciais nazistas, realizou experimentos crueis com mais de 3 mil gêmeos.

Jocimara diz que erros médicos de Kanat, procedimentos que incluíam arramar pacientes em cirurgias sem anestesia e partos desumanos, que deixaram vítimas em Mamborê, a morte de uma suposta namorada jovem depois de um aborto malsucedido, o fato dele ter deixado a cidade repentinamente depois disso, o esvaziamento de sua casa por pessoas desconhecidas da comunidade e semelhanças físicas levaram moradores a acreditar que o suposto médico era Mengele. “Na década 1890, quando surge o imaginário que Mengele esteve no interior do Paraná, as pessoas começa falar que Mendel estava em Mamborê disfarçado de Kant”, afirmou.


O livro “História de Mamborê”, publicado em 1998, cita que Kanat viveu na cidade e pergunta: “Mengele em Mamborê”? A dissertação reúne duas fotos, de Kant em uma festa de bodas de prata em 14 de fevereiro de 1956 na cidade, e de Mengele, quando estava no Brasil, com semelhanças físicas.

Uma reportagem da revista O Cruzeiro, de julho de 1981, afirma que Mengele viveu em Mamborê e que também passou por Campo Mourão.

Por outro lado, os livros “Mengele – O último nazista” (Gerald Astor), “O desaparecimento de Josef Mengele” (Oliver Guez) e “Mengele – A história completa do Anjo da Morte de Auschwitz” mostram que o nazista estava em Buenos Aires .


A historiadora diz que a dissertação não tem o propósito de provar que Mengele viveu em Mamborê na década de 1950, mas o fato de que moradores vincularem a identidade dele com a do suposto médico alemão.

Neste endereço há um questionário para contribuir com informações para a pesquisa da mestranda.

Anjo da Morte

Mengele, médico e assassino em massa, criminoso nazista internacionalmente procurado, morreu em 1979 em uma praia de Bertioga (SP). Mas a verdade só veio à tona em 1985, quando seu corpo foi exumado e os restos mortais examinados pelo legista Daniel Romero Muñoz, então diretor do setor de Antropologia do IML (Instituto Médico-Legal) de São Paulo, em conjunto com cientistas forenses americanos e alemães.

A documentação inicial mostra que o defunto era Wolfgang Gerhard, um austríaco de 54 anos, um dos muitos pseudônimos usados por Mengele. Mas o verdadeiro Gerhard morreu no dia 16 de dezembro de 1978. Foi sepultado em Graz, na Áustria.

Um teste de DNA realizado em 1992 pelo britânico Alec Jeffrey, um dos pioneiros da identificação genética no mundo, concluiu que Mengele estava morto.

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