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Saúde

‘Não vai ter vaga para todo mundo’, diz médica da UTI Covid da Santa Casa

Afirmação é baseada em estimativa de estudiosos que 5% da população vai precisar de UTI

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A UTI Covid (Unidade de Terapia Intensiva) da Santa Casa não vai ter vagas para todos pacientes da Comcam (Comunidade dos Municípios da Região de Campo Mourão. A afirmação é da médica Claudia Garcez, especialista em terapia intensiva que trabalha no setor, em declaração durante uma live no Instagram com oftalmologista Marcelo Brito.

Boletim de segunda-feira (22) da prefeitura de Campo Mourão mostra que há nove pessoas de Campo Mourão, Moreira Sales, Peabiru, Terra Boa, Engenheiro Beltrão e uma de Toledo internadas na UTI Covid da Santa Casa, que tem 15 leitos.

A médica se baseia na estimativa de estudiosos de que 5% dos contaminados terá que ser colocada em tratamento intensivo e metade vai precisar de ventilação mecânica.

Na Comcam, com população de 330.164 habitantes, segundo estimativa de 2019 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), são 16.550 mil pessoas. “80% da população vai ter a doença e isso mostra que estamos só no começo e 20% vão precisar de hospitais”, disse.

Segundo a médica, essa não será uma realidade exclusiva de Campo Mourão, mas do Brasil, e o isolamento social é a única forma de evitar o caos na rede de saúde. “Existe a chance de não haver leitos para todos no Brasil, porque no mundo não teve. O cálculo não vai bater”, afirmou.

A UTI Covid da Santa Casa foi estrutura com dinheiro governamental, doações de empresários e campanhas. O hospital diz que tem capacidade para extensão do setor caso seja necessário.

A preocupação com a capacidade de atendimento se intensifica com a entrada do inverno. A médica afirma que todas as doenças respiratórias, que aumentam por causa do clima, são tratadas como covid-19 até que se prove o contrário.

De acordo com Claudia, o tempo médio de permanência de um paciente com covid-19 na UTI que é de três semanas. Já o infectado com H1N1 fica, em média, uma semana.

Conforme o boletim da prefeitura, Campo Mourão tem 229 pessoas com coronavírus – 121 casos de exames oficiais e 109 dos chamados não oficiais -, 178 se recuperaram da doença, 149 estão sendo monitoradas por autoridades de saúde e há 71 suspeitos.

Há uma semana, a prefeitura decidiu divulgar os números oficiais, de exames feitos pelo Lacen (Laboratório Central do Estado) e credenciados, e os não oficiais, de testes rápidos. “Os números oficiais me incomodavam demais porque atendia muitos por meio do convênio e eles não apareciam na estatística”, disse.

A médica diz que esses números são “falsos” porque não há uma testagem de toda a população para separar as pessoas que estivessem com a fase aguda da doença para fazer o isolamento.

Ela cita o exemplo da Coreia do Sul, considerado um dos exemplos de controle da doença no mundo, que testou a população rapidamente e em grande escala. “Juntar os oficiais não também não são nada”, diz.

De acordo com a média, no início da pandemia a máxima era que a doença matava apenas idosos, mas hoje chama a atenção a idade dos pacientes, uma boa parte adultos jovens com algum fator de risco como a obesidade.

Claudia diz que comorbidade que mais chama atenção é a hipertensão. “É a maior quantidade de pacientes na UTI Covid.” Ela afirma que a que o maior problema são os idosos com comorbidades por se tratar de uma doença violenta, e por isso eles se” esconderam”. “Mas o problema é que as pessoas deixaram a porta aberta. Tive pacientes que foram contaminados no Dia das Mães por causa das visitas.”

Assista a live completa no perfil do oftalmologista Marcelo Brito

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Live com a Dra Claudia Garcez, especialista em Terapia Intensiva, sobre a UTI COVID de Campo Mourão

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