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Os pais de Matheus pedem justiça

Júri de acusado de matar o jovem, que teve a prisão preventiva revogada, foi marcado

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O 14 de maio de 2019 não se apaga na casa da família do cabo da Polícia Militar, Claudio Monteiro da Silva, 45 anos. É a data em que o filho dele, rapaz de 20 anos, foi assassinado na região central de Campo Mourão. A história triste ganhou mais dois capítulos recentemente, com o júri do acusado de cometer o crime marcado para 24 fevereiro de 2021 e a soltura dele neste mês.

Ricardo Cordeio Casarin, o jovem acusado de esfaquear Matheus Jakowski Monteiro da Silva, estudante do 3º ano de Agronomia, foi colocado em liberdade na dia 8 deste mês. Ele estava no minipresídio da 16ª SDP (Subdivisão Policial).

A prisão preventiva dele foi revogada pela Justiça por “constrangimento ilegal, excesso de prazos, quando o júri popular foi designado. “É uma sensação de injustiça, de impunidade. Parece que as leis não foram feitas para as pessoas de bem”, disse Claudio.

Matheus foi morto em uma briga de bar na Avenida Irmãos Pereira com uma facada na costela. Um amigo também foi ferido. Ricardo estava trabalhando de garçon no estabelecimento.

O rapaz chegou a ser socorrido, mas morreu antes de chegar no hospital. Ele foi ao bar com amigos depois de participar do Conccepar (Congresso Científico da Região Centro-Ocidental do Paraná).

Claudio o o filho Matheus que foi morto aos 20 anos

Depois desse dia, a rotina da casa de Claudio nunca mais foi a mesma. Tudo mudo na vida dele, da esposa Ana Paula Jokowski, 40 anos, e do irmão de Matheus, Victor Hugo, 17. “Não tem mais a mesma alegria na casa que construí para ver meus filhos correndo, chegando”, afirmou.

Claudio diz que os amigos não os visitam mais poque não suportam a dor da família. O três passaram por psicólogos, tiveram que juntar os cacos e recomeçar. Ele diz que foi preciso reconquistar a esposa. “Ela não era mais a mulher que conheci lá trás. Ela é uma mãe que perdeu um filho”, afirmou.

O casal é da Pastoral Familiar da igreja católica. É onde reforçam os laços familiares. A devoção a Deus, diz Cláudio, não o levou para o caminho da “vingança com as próprias mãos”.

No trabalho, o cabo não vai mais para a linha de frente, fazer abordagens, porque há o receio de que ele possa cometer um erro grave influenciado pelo assassinato do filho.

Claudio afirma que se deparou, no fim do ano passado, com uma situação difícil. Um homem que estava sob feito de drogas partiu pra cima dele e, mais uma vez, ele lembrou do filho que foi assassinado. “Não é fácil ver um cara espichado na rua vindo para cima de você”, disse.

Na audiência de custódia, o jovem acusado de matar Matheus disse que eta usuário de cocaína. Por isso Claudio relacionou o episódio no trabalho com o crime. “Olho para essas pessoas e começo a ver quem tirou a vida do meu filho. A vontade é de tirar a vida dele também, mas tenho Deus, a gente se contém”, diz.

Claudio se dedica há anos ao Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas). Foi instrutor e hoje comanda o programa da PM em Campo Mourão. Por ironia do destino, o filho foi morto por um jovem que confessou ser usuário de cocaína. “Foram tantos anos cuidando de crianças, orientando para ficar longe das drogas, e chega um drogado e tira a vida do meu filho.”

Com o júri marcado para 25 de fevereiro do próximo ano, Claudio espera que o réu seja condenado. A pena para crime de homicídio é de 12 a 30 anos. “Caso contrário, vou começar a achar que essas pessoas que falam que bandido bom é bandido morto têm razão”, disse.

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