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Saúde

Prefeito de Campo Mourão diz que cidade não precisa de respiradores do governo Bolsonaro

Declarações de dirigentes da Santa Casa afirmam que equipamentos trarão segurança para enfrentamento da Covid-19

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Tentando há vários meses maquiar uma atuação capenga no enfrentamento da pandemia do coronavírus – sem respaldo nas esferas estadual e federal (onde o deputado federal do prefeito, Rubens Bueno, é adversário declarado do presidente Jair Bolsonaro) – e com dificuldades para ampliar o número de leitos na UTI local, que atualmente obriga mourãoenses a se deslocarem para longe de seus familiares caso necessitem de internação no setor intensivo de cuidados médicos, o prefeito Tauillo Tezelli e o secretário municipal de Saúde Sergio Henrique Santos deixaram a máscara cair e expuseram online a face, até então oculta, do uso da politicalha durante o enfrentamento da pandemia em Campo Mourão. A pose de gerenciamento técnico ruiu por completo.

Contrário ao discurso fajuto de união de todos os setores da cidade para enfrentamento do vírus que ele mesmo prega, Tauillo se incomodou com o anúncio de liberação de 5 ventiladores e 5 respiradores do Governo Federal para a cidade, conseguidos pelo deputado federal Ricardo Barros (Progressistas) e que devem chegar em Campo Mourão nos próximos dias. Demonstrando insensatez para o cargo que ocupa , o prefeito preferiu ir à emissora de tv que leva as iniciais de seu nome, para afirmar que “não temos problema com respiradores”, deixando implícita a posição que não seria necessário o repasse dos equipamentos para o município.

Em uma atitude quase insana diante da realidade de apenas 9 leitos de UTI disponíveis aos usuários do SUS na cidade para o tratamento da Covid-19 – para atender uma população regional de quase 330 mil habitantes – Tauillo disse que “nós temos 21 novos leitos de UTI” mas, em nenhum momento explicou a base de equação matemática aleatória. Segundo o prefeito, a chegada de respiradores e ventiladores, no momento em que cidades de todo o País buscam os equipamentos, não é necessária e trariam gastos para montagem de novos leitos. Na visão dele, a implantação de um leito de UTI está orçada em R$ 200 mil e o respirador teria o custo de $ 50 mil.

“MAIS SEGURANÇA PARA ATENDIMENTO”
Longe dos holofotes das redes sociais e no trabalho incansável do enfrentamento da pandemia na cidade, a posição é totalmente divergente do prefeito em relação aos novos respiradores e ventiladores. O presidente da Santa Casa, Pedro Baer, disse que o hospital está preparando a instalação de novos leitos de UTI e que “os respiradores vão servir para ampliar o setor”.
A superintendente do hospital, Lucineia de Souza Scheffer, tem a mesma opinião. Segundo ela, “com certeza, os equipamentos nos dão mais segurança no atendimento da covid-19”, afirmou.
Segundo Baer, o governo do Estado deve entregar monitores para as novas UTI. Esse tipo de equipamento, mais respiradores e bombas de infusão, são os mais custosos para a montagem de um leito de UTI para tratar paciente com o novo coronavírus.

A atitude tresloucada de Tauillo está embasada em uma política reles e mesquinha. Os respiradores e ventiladores direcionados à Campo Mourão foram obtidos através de um pedido do empresário Rodrigo Salvadori, provável pré-candidato nas eleições deste ano.

No domingo (28), Rodrigo viu nas redes sociais a chegada de 10 respiradores e 10 ventiladores entregues no Hospital Municipal de Maringá. Os equipamentos foram conseguidos junto ao Governo Bolsonaro pelo deputado Ricardo Barros e servirão de reserva técnica e, se necessário, instalados em novas salas de UTIs da unidade hospitalar.

Preocupado com a situação local, onde os leitos do SUS estão com índice de 100% de ocupação, Rodrigo entrou em contato com Barros solicitando também o repasse de equipamentos para Santa Casa local. Na terça-feira (30), o empresário recebeu a informação que haviam sido destinados 5 ventiladores e 5 respiradores para o hospital, que devem ser entregues nos próximos dias.

Respiradores e ventiladores do governo Bolsonaro chegaram a Maringá através do trabalho do deputado Ricardo Barros

Foi a “interferência” de Rodrigo que gerou o descontentamento do prefeito. Não satisfeito com sua aparição na tv, o prefeito foi além. Utilizou o espaço no perfil do Facebook da prefeitura – que deveria servir apenas para repasse de ações concretas para o enfrentamento da pandemia – e determinou ao secretário municipal da Saúde, Sergio Henrique dos Santos, que fosse seu ventríloquo na exposição de números, tentando justificar que a cidade não precisa de respiradores ou ventiladores. O secretário chegou a afirmação absurda de “não é só de respirador que se monta uma UTI, é muito mais do que isso”. Na prática a fala é quase como dizer que não só com um motor que se monta um veículo.

Na live da prefeitura, transmitida na tarde do dia 1, Santos disse que sua fala era “uma prestação de contas da prefeitura”.O secretário porém, não teve a mesma atitude na malfadada compra de máscaras chinesas em empresa de autopeças em maio deste ano. Até hoje, a prefeitura não explicou se as 6 mil máscaras compradas no valor de R$ 90.450 , ao preço unitário de R$ 15, foram entregues na cidade.

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